Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Ex-torturador cambojano Duch pede absolvição

O torturador-chefe do extinto regime comunista cambojano do Khmer Vermelho pediu na sexta-feira para ser absolvido e libertado, no último dia de depoimentos antes de ser sentenciado. Kaing Guek Eav, vulgo Duch, é o primeiro membro do Khmer Vermelho a ser julgado, mas ele alega que não era um dos principais líderes do regime, apesar de ter dirigido a notória prisão de Tuol Sleng, ou S-21, onde cerca de 14 mil pessoas morreram - apenas sete presos do local sobreviveram.(Leia Mais)

Sexta, 27 de Novembro de 2009 às 09:25, por: CdB

O torturador-chefe do extinto regime comunista cambojano do Khmer Vermelho pediu na sexta-feira para ser absolvido e libertado, no último dia de depoimentos antes de ser sentenciado.
Kaing Guek Eav, vulgo Duch, é o primeiro membro do Khmer Vermelho a ser julgado, mas ele alega que não era um dos principais líderes do regime, apesar de ter dirigido a notória prisão de Tuol Sleng, ou S-21, onde cerca de 14 mil pessoas morreram - apenas sete presos do local sobreviveram.

Duch, de 67 anos, é acusado de "crimes contra a humanidade, escravização, tortura, abusos sexuais e outros atos desumanos". Seu julgamento, em um tribunal cambojano organizado pela ONU, já dura nove meses.

Ao todo, estima-se que 1,7 milhão de cambojanos tenham morrido nas mãos do regime ultracomunista que governou o país entre 1975 e 1979.

Para surpresa do tribunal, Duch disse em seu depoimento: "Gostaria que a corte me libertasse". Os três juízes cambojanos e dois estrangeiros ainda pediram que o advogado cambojano dele esclarecesse se não teria havido um erro na tradução da declaração de Duch.

– Quando meu cliente pediu a libertação, ele quer dizer que não era um líder de primeiro escalão do Khmer Vermelho – disse o advogado Kar Savuth, que repetiu a tese de que a vida de Duch estaria em risco se ele não cumprisse as ordens de mandar matar milhares de pessoas na S-21, uma antiga escola secundária transformada em campo de concentração.

Os promotores pediram ao tribunal que rejeite a tese de que Duch apenas cumpria ordens, argumentando que ele tinha "ideologicamente a mesma mentalidade" do regime e não impediu seus guardas de realizarem as torturas. A promotoria solicitou 40 anos de prisão para esse ex-professor de matemática.

Ao longo de 72 dias de depoimentos, testemunhas falaram sobre agressões com canos, choques, fome, estupros e prisioneiros tendo de comer seus excrementos e sangrando até a morte na prisão.

– Este acusado é um criminoso real. Ele está por trás dos crimes cometidos na S-21. Ele foi o secretário da S-21 que supervisionou todas as administrações, a gestão de toda a função do centro – disse o promotor Chea Leang ao tribunal.

O veredicto deve sair em março. Duch pode ser condenado à prisão perpétua. Não há pena de morte no Camboja.

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