A defesa dos ex-sócios do empresário Marcos Valério de Souza nas agências de publicidade DNA e SMPB está se concentrando em minimizar os vínculos entre eles e o principal acusado de operar o processo de compra de votos conhecido como mensalão. Durante o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do inquérito criminal que denuncia o envolvimento de 40 pessoas no esquema, os advogados negam qualquer participação desses acusados no esquema.
O advogado Hermes Guerreiro, que representa Ramon Hollerbach, sócio de Marcos Valério na Graffiti Participações (empresa associada à DNA), afirmou que os atos de seu cliente são independentes dos de Marcos Valério.
— Não há como a conduta de Valério ter beneficiado Ramon, nem o contrário —, ressaltou durante a apresentação da defesa no plenário do Supremo.
Para Guerreiro, a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, carece de base para provar a participação de Hollerbach na transferência ilegal de recursos para partidos políticos.
— A agenda de Karina Somaggio [secretária de Marcos Valério em 2005] nem cita o nome dele —, afirmou o advogado.
Ele disse ainda que a sociedade com Marcos Valério na Graffiti não comprova o vínculo direto com a gestão da DNA.
Representante de Cristiano de Mello Paz, apontado como sócio de Marcos Valério na SMPB, o advogado José Antero Monteiro Filho negou que o cliente participasse da gestão da agência de publicidade.
— Ele se dedicava exclusivamente à área de criação da agência e não interferia em assuntos financeiros —, rebateu no plenário.
O advogado Paulo Sérgio Abreu e Silva negou que Rogério Tolentino, também acusado pelo Ministério Público de fazer parte do núcleo publicitário da quadrilha de compra de votos, negou qualquer sociedade com Marcos Valério.
— Tolentino não é sócio, dirigente nem cotista na SMPB. Ele somente era advogado da agência —, ressaltou.
Paulo Sérgio também fez a defesa da ex-funcionária da SMPB Geíza Silva, incluída no inquérito porque tinha conhecimento dos repasses de recursos em dinheiro vivo dos bancos Rural e BMG para a agência, o advogado alegou que ela apenas estava cumprindo ordens.
— Ela era uma funcionária de cargo auxiliar na seção financeira da SMPB, que mandou um e-mail para o Banco Rural sem nem conhecer qualquer beneficiário —, rebateu.
Ex-sócios de Marcos Valério minimizam vínculo com empresário em agências de publicidade
Quarta, 22 de Agosto de 2007 às 15:58, por: CdB