O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar vai ouvir nesta terça-feira, às 14h30, o depoimento de Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. Ela confirma as denúncias do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), de que o publicitário era mensageiro do mensalão pago a deputados do PL e do PP em troca de apoio parlamentar ao governo.
A ex-secretária declarou que o publicitário mantinha negociações diárias via telefone não só com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o secretário-geral do partido Silvio Pereira, como também com o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha. Ela ainda mencionou que eles mantinham contatos telefônicos diários e que viu uma mala retirada no departamento financeiro da empresa para ser levada nas reuniões com o PT.
De acordo com seu advogado, Rui Pimenta, ela vai reafirmar as denúncias que fez à Polícia Federal, ao Ministério Público e à imprensa. Ele afirmou ainda que entrou com pedido de hábeas-corpus na Justiça para trancar o processo movido contra ela pelo publicitário por tentativa de extorsão.
Nesta quarta-feira, será a vez do deputado Pedro Henry (PP-MT). Em seguida, dois deputados serão ouvidos. Às 10 horas, o conselho recebe o líder do PTB na Câmara, deputado José Múcio Monteiro (PE). Às 14h30, o líder do PP, deputado José Janene (PR). Os plenários, nesses dois casos, ainda não foram confirmados. Os deputados são acusados por Roberto Jefferson de serem cúmplices no esquema do mensalão.
Além deles, Roberto Jefferson e o seu genro, Marcus Vinicius Vasconcelos Ferreira, também serão ouvidos, na quinta-feira, pela comissão parlamentar mista de inquérito que investiga denúncias de corrupção nos Correios.
Quem já foi ouvido
No processo por quebra de decoro parlamentar contra Roberto Jefferson, aberto a pedido do PL, o Conselho de Ética já ouviu quatro pessoas citadas pelo deputado do PTB, além dele próprio. O deputado Miro Teixeira (PT-RJ) confirmou a versão de Jefferson de que os dois conversaram sobre o suposto pagamento de mesadas a parlamentares.
Já o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) relatou conversa em que a deputada licenciada Raquel Teixeira (PSDB-GO) revelou ter recebido proposta em dinheiro do líder do PL, Sandro Mabel, para trocar de partido. No dia seguinte, a própria Raquel confirmou o fato ao conselho. Sandro Mabel, contudo, negou essa versão e disse que a proposta para que a deputada trocasse de partido não incluiu oferta financeira. O presidente do conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), não descarta a possibilidade de realizar acareações entre as testemunhas.
Opiniões divergem
Para a deputada Angela Guadagnin (PT-SP), integrante do conselho, os depoimentos tomados até agora não confirmam as denúncias de Roberto Jefferson:
- Nenhum dos deputados que prestaram depoimento confirmou a existência do mensalão, todos disseram que apenas ouviram falar do assunto.
Já o deputado Moroni Torgan (PFL-CE), que também participa do conselho, afirma que as testemunhas foram convincentes, mas deixaram pontos a serem esclarecidos:
- Todos deixaram algum tipo de lacuna a ser respondida, como o motivo pelo qual não depuseram antes. Esses fatos devem ser explicados antes que possamos formar uma convicção.
Para Torgan, as provas testemunhais não serão suficientes para concluir se Roberto Jefferson falou ou não a verdade. Ele espera que as comissões parlamentares de inquérito que investigam as denúncias ajudem o Conselho de Ética:
- Esperamos que as CPIs nos ajudem na colheita de provas documentais, já que o conselho não tem o poder de quebrar sigilos. Essas provas é que darão aos deputados uma visão mais segura de onde está a verdade.