Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Ex-refém filipino chega a Manila

Quinta, 22 de Julho de 2004 às 07:27, por: CdB

O filipino Angelo de la Cruz, mantido refém no Iraque por mais de duas semanas, foi recebido em seu país como herói, nesta quinta-feira, dia em que o governo das Filipinas começava a sentir o custo diplomático da decisão de antecipar a retirada de suas forças do território iraquiano, a fim de salvar o motorista de caminhão. Com o cabelo longo escondido por um boné de beisebol, o motorista de 46 anos de idade abraçou seus oito filhos ao desembarcar no aeroporto internacional da capital, Manila.

Ele disse estar ainda chocado demais para saber como tudo aquilo o afetava. "Desculpe-me, não posso responder a isso, porque ainda estou confuso e quero ficar com minha família", disse, em entrevista coletiva.

De la Cruz mostrava-se surpreso com o fato de ter se transformado, do dia para a noite, de um desconhecido motorista de caminhão em um símbolo dos 8 milhões de filipinos que trabalham no exterior para sustentar suas famílias.

Dois dias depois de ter sido libertado em Bagdá, capital iraquiana, De la Cruz voou de volta para casa na primeira classe, ao lado da mulher, Arsenia, e de seu irmão mais novo, Jesse, que estava na Jordânia aguardando o desenlace do caso.

Ele não quis responder às perguntas sobre a política internacional das Filipinas e apenas agradeceu por várias vezes à presidente Gloria Macapagal Arroyo por tê-lo salvo. A dirigente ligou para De la Cruz duas horas depois do pouso em Manila para convidá-lo para uma missa.
Arroyo parece ter calculado que sofreria menos danos curvando-se à exigência dos militantes do que desagradando aos Estados Unidos.

A retirada das forças filipinas foi antecipada em um mês e teve o apoio de 74% da população, segundo uma pesquisa feita com 300 pessoas na capital. Segundo diplomatas e analistas, a longo prazo, a decisão da presidente não deve afetar as relações com os norte-americanos, que têm interesse em ajudar as Filipinas a enfrentar várias revoltas muçulmanas no sul do país.

Não se descarta, porém, algum tipo de retaliação. O embaixador dos EUA no país, Francis Ricciardone, deveria voar para casa na quinta-feira para fazer o que descreveu como algumas "consultas" a Washington.

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