A Justiça paraguaia condenou o ex-presidente Luis González Macchi (1999-2003) a seis anos de prisão pelo desvio de 16 milhões de dólares de dois bancos falidos.
Em um julgamento realizado, na madrugada, desta terça-feira e transmitido pela TV, um Tribunal de Sentença condenou Macchi à prisão, mas o ex-presidente aguardará o recurso em liberdade, informou uma fonte judicial.
Enrique Bacheta, defensor do ex-presidente, confirmou logo após o julgamento que vai recorrer.
- Vamos apelar, condenaram um inocente - disse o advolgado.
Os juízes Miguel Said, Gustavo Amarilla e Sandra Farías concluíram que González Macchi desviou dinheiro por ser o principal responsável por uma decisão que causou prejuízo a milhares de poupadores dos bancos Oriental e Unión, o que ficou provado pela promotoria.
Segundo a sentença, o ex-presidente deverá cumprir a pena na prisão de Tacumnbú, a maior do Paraguai.
A promotora Victoria Acuña tinha pedido 10 anos de prisão para González Macchi, afirmando que todas as evidências provam que o ex-presidente é culpado
Com o veredicto desta terça-feira, González Macchi se torna o primeiro ex-presidente paraguaio da era democrática condenado por corrupção.
González Macchi entregou o poder no dia 15 de agosto de 2003 ao atual presidente paraguaio, Nicanor Duarte Frutos, ambos do Partido Colorado.
- Se fez justiça porque González Macchi sempre burlou a lei - disse o político Hermes Rafael Saguier, do opositor Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA).
- Isto pode ajudar à Justiça paraguaia - afirmou Saguier ao lembrar que o Poder Judiciário ainda deve expedir uma sentença contra o ex-presidente Juan Carlos Wasmosy (1993-1998), também acusado de corrupção.