Rumash Haradinaj, ex-primeiro-ministro de Kosovo, declarou-se inocente nesta segunda-feira diante do tribunal de Haia, onde é acusado de envolvimento em assassinato, estupro e deportação quando era líder de uma guerrilha nos conflitos de 1998 e 1999 contra os sérvios.
Haradinaj, um ex-comandante regional do Exército de Libertação de Kosovo (KLA), afirmou ser inocente diante das 17 acusações de crimes contra a humanidade e das 20 acusações de violar as leis da guerra.
O líder guerrilheiro, que renunciou ao cargo de premier na semana passada a fim de ser julgado no tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU), teria realizado uma campanha para expulsar sérvios e ciganos de seus vilarejos em 1998 e teria atacado civis albaneses e ciganos suspeitos de colaborar com os sérvios.
Haradinaj, considerado um herói por muitos albaneses de Kosovo, é o mais importante ex-líder do KLA a ser indiciado por crimes contra as forças sérvias e o primeiro chefe de governo a ser acusado formalmente desde Slobodan Milosevic, ex-presidente da Iugoslávia.
Dois dos ex-assessores de Haradinaj no KLA, Idriz Balaj e Lahi Brahimaj, também se declararam inocentes na mesma audiência.
- Os três réus disseram-se inocentes para cada uma das acusações feitas contra eles no indiciamento - disse o juiz Carmel Agius.
Segundo a promotoria, membros do KLA sob o comando de Haradinaj espancaram e expulsaram sérvios e ciganos, matando os que ficavam para trás e sequestrando supostos colaboradores em uma campanha marcada por assassinatos e maus-tratos.
Haradinaj, que renunciou ao cargo de premier apenas cem dias depois de tomar posse, deve pedir ao Tribunal Criminal Internacional para a ex-Iugoslávia que fique em liberdade enquanto é julgado, afirmou o advogado dele, Rodney Dixon.