Se as pesquisas de opinião estiverem corretas, Portugal deve eleger no domingo, por uma pequena margem de votos, seu primeiro presidente de centro-direita desde a Revolução dos Cravos (1974). Aníbal Cavaco Silva, um ex-primeiro-ministro, prometeu ajudar a resolver a crise econômica do país e concorre contra uma esquerda dividida e que ocupa a Presidência desde a instalação da democracia no país mais pobre da Europa ocidental, 32 anos atrás. Temendo a vitória do político de centro-direita, o atual primeiro-ministro português, José Sócrates (de esquerda), apóia de forma cada vez mais enfática o emblemático político Mário Soares, 81, nas eleições presidenciais.
Um ministro disse que a vitória de Cavaco Silva poderia se transformar em um "golpe de Estado constitucional" porque o ex-premiê, caso seja realmente eleito, tentaria atuar para além dos poderes previstos para o cargo. O presidente possui um papel discreto na política portuguesa, mas chefia as Forças Armadas e pode vetar leis, apontar primeiros-ministros, assumir o comando do gabinete de governo e dissolver o Parlamento.
Cavaco Silva, 66, perdeu terreno nas últimas pesquisas, mas, segundo dados divulgados recentemente, ainda deve obter um pouco mais de 50 por cento dos votos necessários para vencer a disputa já no primeiro turno, derrotando seus cinco adversários da esquerda. Quase 78 por cento dos portugueses acreditam que o ex-premiê, cujo governo (de 1985 a 1995) acompanhou um período de expansão da economia, é o melhor candidato para realizar uma reviravolta nos fundamentos econômicos do país.
Cavaco Silva, um social-democrata, está conclamando os eleitores a comparecer às urnas neste pleito, o terceiro em pouco mais de um ano. O candidato teme que um baixo comparecimento acabe frustrando suas esperanças de vencer já no primeiro turno. Uma pesquisa divulgada pelo jornal Diário de Notícias, na quinta-feira, mostrou o candidato com 52,7 por cento das intenções de voto. Em segundo lugar, aparece o socialista Manuel Alegre, com 19,2 por cento. Soares, presidente por duas vezes, está com 14,1 por cento. Um segundo turno deve ser realizado no dia 12 de fevereiro se nenhum dos concorrentes obtiver ao menos 50 por cento dos votos.