Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

Ex-líder das Farc diz que desconhece laços de Chávez com a guerrilha

Terça, 20 de Maio de 2008 às 16:03, por: CdB

A guerrilheira Nelly Ávila Moreno, conhecida como Karina, que desertou das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), assegurou nesta terça-feira que nunca soube de acordo do grupo com os governos da Venezuela e do Equador. As informações são da BBC Brasil.

– Admiramos o presidente Hugo Chávez, mas não conheci acordos, negociações ou qualquer outra coisa desse tipo com ele, até mesmo com o presidente Rafael Correa – afirmou a líder em conversa telefônica com uma rádio local.

A ex-dirigente das Farc disse ainda que sua rendição "foi um golpe muito duro" para a guerrilha e anunciou que irá colaborar com a justiça colombiana em troca de benefícios legais.

A rebelde negou ser a autora dos inúmeros crimes atribuídos a ela. Há pelo menos 24 anos nas Farc, Karina é acusada de participação no assassinato de Alberto Uribe, pai do atual presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, em 1983 – o que ela nega.

– Não sei quem matou o pai do presidente – disse.

– Não tenho as mãos sujas nesse caso.

– Essa fama foi criada pela imprensa. Às vezes, não se investiga bem e criam um estereótipo – disse a ex-comandante.

Karina está em uma dependência oficial de Medellín, capital do departamento (estado) de Antioquia (noroeste da Colômbia), onde foi apresentada pelos órgãos militares e de inteligência estatal aos meios de comunicação.

Quando perguntada sobre os crimes que cometeu na guerrilha, ela se recusou a dizer quantos foram.

– Darei essa informação às autoridades, vou colaborar com a Justiça –  disse.

Karina contou que entrou na guerrilha porque "gostava de armas" e revelou que sua família foi vítima de violência. Ela admitiu ter matado pessoas em combate mas afirmou não ter cometido nenhum assassinato a sangue frio.

O governo da Colômbia, no entanto, acusa a guerrilheira de ter comandado massacres como a tomada de um batalhão em Juradó, no litoral do Pacífico colombiano, em 1999, quando morreram 25 soldados colombianos. Em 2005, ela chefiou um ataque à polícia na cidade de San Marino, no noroeste da Colômbia, que terminou com oito mortos.

Aos 40 anos, Karina era comandante da Frente 47 das Farc, que chegou a ter cerca de 300 guerrilheiros e hoje não passa de 50. "Essa era uma das frentes mais ativas e mais violentas", explicou ministro do Interior e da Justiça colombiano, Carlos Holguín. O ministro afirmou também que a guerrilheira estaria disposta a entregar outros membros do grupo. Ela pode entrar no programa do governo que beneficia com pena máxima de oito anos de prisão os guerrilheiros que confessam seus crimes.

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