Douglas Sato
Especial para o site da FPF
O técnico Rafael Guanaes, de 30 anos, que comanda o Joseense no Campeonato Paulista da Segunda Divisão, teve uma curta carreira como jogador profissional, atuando apenas no Nacional e na própria equipe de São José dos Campos, onde se aposentou e iniciou na profissão de treinador no ano passado, substituindo Ricardo Longhi.
Já nas categorias de base, o hoje treinador acumulou experiências jogando no meio de campo do Palmeiras, Corinthians e Campbell University, time universitário dos Estados Unidos. E foi durante este período, que o ex-jogador atuou com nomes que mais tarde se consagrariam como Rodrigo Taddei da Roma da Itália, Cacau do Stuttgart da Alemanha e Kaká e Julio Baptista dos espanhóis Real Madrid e Málaga, respectivamente.
Na temporada passada, com problemas de contusão, Guanaes aceitou o convite de dirigir o Joseense, clube que defendeu durante a própria competição ainda como atleta. E para ter sucesso nesta nova profissão, o treinador se inspira em Muricy Ramalho e nas lições de Ricardo Longhi, ex-treinador da equipe e lateral-esquerdo do Palmeiras na década de 1970.
FPF: Em que técnico você se espelha?
Rafael: Principalmente no Muricy Ramalho. Pessoalmente acho o mais completo, um treinador que estuda o adversário como um cientista, com profundidade, não se deixando levar pelas primeiras impressões, que não se deixa tomar e evita que seus jogadores sejam tomados pela euforia, provocação ou qualquer emoção que atrapalhe o desempenho. Um técnico quando estuda o jogo, o campo, como se fossem peças. No âmbito motivacional gosto muito do Felipão, e na parte tática o Vanderlei Luxemburgo é fora de série.
FPF: Quem foi o seu mentor no futebol?
Rafael: Com absoluta certeza o Ricardo Longhi, foi meu treinador da base do Nacional me ensinou tudo o que sei hoje. Tive uma boa convivência com ele, me orientou dentro do futebol, o considero um estrategista, muito rígido, mas certamente o melhor técnico que trabalhei. Com ele aprendi o que era o futebol, anos depois encontrei ele como treinador do Joseense e após sua saída do clube iniciei meus passos como treinador no próprio Joseense.
FPF: Qual foi o seu melhor momento como jogador de futebol?
Rafael: Acredito que foi longe do Brasil, quando joguei pelo Campbell University. Lá tive a oportunidade de jogar na liga universitária dos Estados Unidos, em um dos anos que passei por lá consegui ser artilheiro e em outra oportunidade líder de assistências do meu time, resumindo foi aonde me destaquei, porém sem visibilidade para o Brasil.
FPF: Qual foi a história mais inusitada em sua carreira como treinador?
Rafael: Em especial não tem uma, porém o que me acontece muito é que como trabalho com pessoas nem sempre todas tem o mesmo comportamento, alguns jogadores deixam seus problemas pessoais interferir na sua vida como jogador então nos últimos tempos tenho cortado jogadores antes das partidas por falta de foco.
FPF: Quando você era jogador qual foi o principal atleta que jogou junto ou enfrentou?
Rafael: Quando joguei pelo Palmeiras tive a oportunidade de jogar com Rodrigo Taddei que hoje joga na Roma da Itália, um jogador diferenciado que sabe conduzir a bola, naquela época tinha um chute tão potente quanto hoje. Nas categorias de base do Nacional enfrentei num jogo contra os profissionais o Cacau, hoje atacante da Seleção Alemã. Tive a oportunidade de jogar contra o Kaká e Júlio Baptista quando ambos jogavam pelo São Paulo.
FPF: Qual foi o principal jogador que você já comandou?
Rafael: Estou começando agora e numa competição aonde as apostas são de jogadores novos, então não tive a oportunidade de comandar um jogador de renome. Mas, no nosso grupo posso apontar o Niltinho como promessa, um jogador que tem um excelente potencial, meio-campista clássico, armador mesmo. Faz a bola correr, trabalha com as duas pernas, chega mais à frente com velocidade, sabe finalizar muito bem. Ao meu ver um jogador muito promissor.
FPF: Quais são os seus projetos para o futuro?
Rafael: Não gosto de pensar no futuro, já que ainda estou disputando um campeonato, então estou com o planejamento deste ano. Não consigo pensar em mais nada além do trabalho que estou fazendo no Joseense, estamos trabalhando forte e estamos vivos no campeonato. Os meus jogadores adotaram a filosofia desse ano, creio na nossa classificação e apenas depois disso começarei a pensar no futuro.