Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Ex-general golpista paraguaio reaparece entre Lula e Duarte Frutos

Sábado, 16 de Agosto de 2003 às 11:39, por: CdB

O ex-general paraguaio golpista, Lino Oviedo, foi neste sábado o centro das atenções de um evento oficial celebrado na hidrelétrica de Itaipu, do qual participaram os líderes do Paraguai e do Brasil, países sócios da obra.

Oviedo foi um poderoso chefe no Paraguai e protagonista de sucessivas crises institucionais entre 1996 e 2000. Ele foi condenado a 10 anos de prisão por planejar um golpe de Estado em 1996, e também é acusado de planejar o assassinato do vice-presidente Luis María Argaña em 1999, e um levante militar em 2000. Ele está exilado no Brasil há dois anos.

— Sou um convidado aqui. Os que realizam o evento são os entes binacionais. Tenho muitos amigos no Brasil, onde estou há vários anos — disse à mídia o ex-militar, cuja aparição assombrou autoridades e jornalistas do Paraguai.

O evento foi realizado um dia depois da posse do novo presidente paraguaio, Nicanor Duarte Frutos, que inaugurou, junto com seu colega brasileiro Luis Inácio Lula da Silva, uma turbina na hidrelétrica, construída pelos dois países nos anos 70.

Oviedo evitou responder sobre supostas conversações com Duarte Frutos quando foi questionado por jornalistas.

— Ele é presidente do poder Executivo. Eu tenho que tratar com o poder Judicial — disse.

O ex-militar lidera o partido político Unace, que obteve 17 cadeiras no Congresso de maioria oposicionista nas eleições de abril passado. Duarte Frutos, que era colaborador próximo de Argaña, precisa buscar apoio no Congresso para levar adiante as reformas previstas por seu governo. Mas o novo presidente declarou que Oviedo deve comparecer perante à justiça paraguaia.

— Isso não estava previsto. Evidentemente não houve controle da lista de convidados e então se convidou esse tipo de gente, se é que se pode chamar isso de gente — disse José Emilio Argaña, filho do vice-presidente assassinado.

— Comunicamos (o fato) à chancelaria e ela faria sua queixa (ao governo do Brasil). Se (ele) passar para o lado paraguaio, eu mesmo vou pedir que o prendam — acrescentou.

O ex-general era considerado o poder por trás do presidente Raúl Cubas, que renunciou, depois do assassinato de sete manifestantes em março de 1999, para fugir para o Brasil e logo voltar ao Paraguai. Atualmente está livre de acusações de homicídio.

Oviedo esteve exilado na Argentina sob proteção do ex-presidente Carlos Menem, depois se refugiou no Brasil, onde a justiça rechaçou um pedido de extradição contra ele. Oviedo atualmente é considerado um refugiado político pelo Brasil.

— Eu não tenho nenhuma conta a acertar com a justiça paraguaia. O Supremo Tribunal do Brasil disse que não há nenhum delito a ser imputado a Lino Oviedo porque se trata de uma perseguição política — disse o ex-general.

Na quinta-feira, um juiz paraguaio condenou a 25 anos de prisão Luis Alberto Rojas, o suposto contratado por Oviedo, depois de considerá-lo culpado de disparar contra o vice-presidente Argaña.

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