Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Ex-general de Saddam patrulha Falluja após recuo dos EUA

Sábado, 01 de Maio de 2004 às 09:01, por: CdB

Soldados do antigo exército iraquiano liderados por um dos generais de Saddam Hussein patrulhavam no sábado a cidade de Falluja, um ano depois de o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ter declarado "missão cumprida" ao derrubar o regime iraquiano.

Gritos de "vitória sobre os americanos" ecoavam de minaretes e guerrilheiros armados celebravam nas ruas sob um cartaz verde do Islã e bandeiras iraquianas da era de Saddam. Milhares de pessoas que fugiram em um mês de combates pesados voltaram para suas casas depois do recuo dos Marines (fuzileiros navais) dos EUA para suas posições de cerco.

Diante de confrontos que espalharam sangue em ambos os lados e enfureceram a opinião iraquiana e árabe, comandantes dos EUA retiraram as tropas para posições mais distantes na sexta-feira.

A segurança foi conferida à polícia local e a uma nova força de ex-soldados sob comando do general Jasim Mohamed Saleh, que fazia parte da temida Guarda Republicana de Saddam.

Comandantes dos EUA disseram que se trata de uma experiência que pode ser revertida.

Mas alguns iraquianos, impacientes com uma ocupação que lhes apresentou nesta semana imagens de tropas dos EUA e da Grã-Bretanha torturando presos, podem muito bem acreditar que estão vendo uma vitória militar, apesar de o inimigo ainda ter na reserva uma enorme capacidade de fogo.

Os norte-americanos, que decidirão em novembro se vão reeleger Bush, podem também se perguntar para onde está indo a aventura iraquiana, após o mês com o maior número de baixas dos EUA desde o início da guerra.

"Os defensores da cidade estão celebrando", gritou um homem, enquanto pessoas armadas à paisana levantavam cartazes e fuzis comemorando a "derrota" dos Marines.

Um membro uniformizado da força de 1.000 homens do general Saleh -- chamado pelos Marines de Brigada Falluja -- observava. Ele sorria.

A força, a pé ou em veículos civis, começou a patrulhar as ruas da cidade sunita que esteve entre as mais leais a Saddam.

"Deus deu a esta cidade a vitória sobre os americanos", dizia a mensagem a partir de uma mesquita "Esta vitória veio com os atos dos corajogos Mujahideen guerreiros santos de Falluja, que acabaram com as tropas americanas."

"OLHOS ABERTOS"

Um porta-voz do Pentágono disse que os EUA entraram no acordo de Falluja com seus "olhos bem abertos", cientes dos riscos de lidar com Saleh, que é relativamente desconhecido e que tem influência -- ou ligação -- sobre os rebeldes também não esclarecida.

Lawrence di Rita disse que os Marines tiveram que encerrar o cerco para não apresentarem novos riscos para a autoridade dos EUA que poderiam atrapalhar os planos de entrega de poder a um governo interino iraquiano dentro de dois meses.

Comandantes dos Marines dizem que planejam um novo acordo em Falluja e podem voltar para a cidade. Eles dizem que perseguirão rebeldes e militantes estrangeiros e ainda estão em busca dos assassinos de quatro guardas de segurança norte-americanos que tiveram os corpos mutilados -- o que gerou a ofensiva dos EUA, há um mês.

Hammad Makhlas, que voltou a Falluja com sua esposa e cinco crianças, encontrou as janelas de sua casa quebradas e paredes danificadas. "Graças a Deus. A coisa mais importante é que a dignidade da cidade foi preservada com a derrota dos americanos."

Os superpoderes foram entregues a Saleh após o fracasso em retirar 2.000 guerrilheiros entrincheirados entre 300.000 civis. Críticos de Bush o acusam de ter entrado em uma guerra no estilo do Vietnã.

O crescente número de mortos não ajuda na campanha de reeleição de Bush. Ao todo, 129 norte-americanos foram mortos em ação em abril -- quase um quarto de todos os 541 mortos desde que forças dos EUA invadiram o Iraque, em março do ano passado. Dois deles morreram no sábado.

O programa de televisão dos EUA "Nightline" provocou controvérsia ao dedicar um capítulo para mostrar nomes e fotos dos mortos.

O derramamento de sangue em Falluja tampouco ajudou Washington a v

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