Rio de Janeiro, 27 de Maio de 2026

Ex-general acusa superior pelo escândalo das torturas

Sexta, 13 de Maio de 2005 às 05:57, por: CdB

A ex-comandante da prisão de Abu Ghraib, no Iraque, culpou um superior pelas ordens para empilhar presos e colocá-los em coleiras e afirmou em entrevista que provavelmente os abusos prosseguem no local.

A coronel Janis Karpinski, que devido ao escândalo perdeu a patente de general, atribuiu ao general Geoffrey Miller os métodos usados para humilhar os detentos.

Miller comandava o campo de prisioneiros de Guantánamo, em Cuba, e foi enviado ao Iraque para sugerir melhorias na coleta de informações e nas operações de detenção no Iraque.

- Acredito que o general Miller tenha dado as idéias, as instruções sobre que técnicas usar -  disse ela em entrevista ao programa "Nightline", da ABC News.

Ela se referia às práticas de colocar os presos em pirâmides humanas e de puxá-los como cachorros, em coleiras.

- Posso dizer com certeza que os policiais militares certamente não desenvolveram essas técnicas, certamente não foram a Abu Ghraib ou ao Iraque com coleiras para cães - ressaltou. 

Karpinski, que já fez acusações semelhantes antes, foi a primeira oficial de alto escalão a ser punida por causa do escândalo. Ela foi rebaixada de general de uma estrela a coronel no dia 5 de maio.

O coronel Thomas Pappas, que atuou como chefe de inteligência militar em Abu Ghraib, foi repreendido e perdeu sua autoridade de comandante, disse o Exército nesta quarta-feira.

A publicação das fotos de tortura na prisão de Abu Ghraib, nos arredores de Bagdá, aconteceu há um ano e provocou uma onda mundial de críticas aos Estados Unidos. Vários outros casos de abusos vieram à tona desde então.

Na entrevista à ABC, Karpinski insinuou que o abuso pode continuar em Abu Ghraib.

- Durante vários meses depois de eu ficar ciente das imagens, eu disse: 'Bem, pelo menos as fotos vão parar com isso'. Não estou convencida - afirmou.

O Exército disse que Karpinski foi rebaixada por ter descumprido seus deveres e por ter ocultado que, no passado, foi detida por furtar uma loja. Mas ela disse que está sendo punida pelo que aconteceu em Abu Ghraib quando já não era mais a comandante.

Ela afirmou ainda que seus advogados acreditam que há base para um processo judicial a respeito da forma como ela foi tratada.

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