A ex-comandante da prisão de Abu Ghraib, no Iraque, culpou um superior pelas ordens para empilhar presos e colocá-los em coleiras e afirmou em entrevista que provavelmente os abusos prosseguem no local.
A coronel Janis Karpinski, que devido ao escândalo perdeu a patente de general, atribuiu ao general Geoffrey Miller os métodos usados para humilhar os detentos.
Miller comandava o campo de prisioneiros de Guantánamo, em Cuba, e foi enviado ao Iraque para sugerir melhorias na coleta de informações e nas operações de detenção no Iraque.
- Acredito que o general Miller tenha dado as idéias, as instruções sobre que técnicas usar - disse ela em entrevista ao programa "Nightline", da ABC News.
Ela se referia às práticas de colocar os presos em pirâmides humanas e de puxá-los como cachorros, em coleiras.
- Posso dizer com certeza que os policiais militares certamente não desenvolveram essas técnicas, certamente não foram a Abu Ghraib ou ao Iraque com coleiras para cães - ressaltou.
Karpinski, que já fez acusações semelhantes antes, foi a primeira oficial de alto escalão a ser punida por causa do escândalo. Ela foi rebaixada de general de uma estrela a coronel no dia 5 de maio.
O coronel Thomas Pappas, que atuou como chefe de inteligência militar em Abu Ghraib, foi repreendido e perdeu sua autoridade de comandante, disse o Exército nesta quarta-feira.
A publicação das fotos de tortura na prisão de Abu Ghraib, nos arredores de Bagdá, aconteceu há um ano e provocou uma onda mundial de críticas aos Estados Unidos. Vários outros casos de abusos vieram à tona desde então.
Na entrevista à ABC, Karpinski insinuou que o abuso pode continuar em Abu Ghraib.
- Durante vários meses depois de eu ficar ciente das imagens, eu disse: 'Bem, pelo menos as fotos vão parar com isso'. Não estou convencida - afirmou.
O Exército disse que Karpinski foi rebaixada por ter descumprido seus deveres e por ter ocultado que, no passado, foi detida por furtar uma loja. Mas ela disse que está sendo punida pelo que aconteceu em Abu Ghraib quando já não era mais a comandante.
Ela afirmou ainda que seus advogados acreditam que há base para um processo judicial a respeito da forma como ela foi tratada.