Antônio Osório Batista, Eduardo Medeiros de Moraes e Maurício Coelho Madureira, os três ex-diretores dos Correios, vão depor no Senado, nesta quarta-feira, na Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as denúncias do deputado do PTB, Roberto Jefferson (RJ), sobre um suposto pagamento de propina a deputados do PP e PL. Eles são acusados de desvio de verbas da estatal para fazer o pagamento do chamado mensalão.
A CPI também vota, nesta quarta, os requerimentos para quebras dos sigilos fiscais e telefônicos, além dos pedidos para a convocação de novas testemunhas. O tesoureiro do PT, Delúbio Soares, o empresário e sócio de agência SMPB e DNA, Marcos Valério de Souza, e a ex-secretária Fernanda Karina Somaggio são algumas das pessoas das quais a CPI pretende quebrar os sigilos.
Para a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) os ex-diretores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) terão que voltar para novo depoimento, porque o governo, até agora, não disponibilizou à CPI dados importantes, como informações sobre o processo de instalação das licitações, os contratos firmados e os respectivos aditivos:
- Fica praticamente impossível aprofundar as investigações hoje (quarta). O que vai acontecer nessa reunião é que a base de bajulação do governo vai fazer perguntas que ajudarão os diretores a se sair bem.
Na terça, os parlamentares ouviram Joel Santos Filho, um dos autores da gravação em que o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, aparece recebendo R$ 3 mil e descrevendo o suposto esquema. Santos Filho confirmou aos parlamentares que ouviu de Marinho que Jefferson "comandava tudo ali dentro".
Ele afirmou ter ouvido que havia uma reunião mensal para que os indicados pelo partido prestassem contas aos seus dirigentes das arrecadações decorrentes do suposto esquema de corrupção. O depoente declarou ainda que era o próprio Marinho quem tomava decisões, e não o diretor de Administração, Antônio Osório, que teria sido taxado por Marinho de "roda presa".
Joel disse que só fez as gravações por achar que Marinho "não era uma pessoa honesta". O empresário Artur Waschek Neto, amigo de Joel, foi quem pediu para que ele fizesse a gravação, como informou à CPI. Joel também disse que Marinho explicou com detalhes as irregularidades em uma licitação para favorecer a empresa Novadata.
Para vários integrantes da CPI, Joel mentiu ou usou de evasivas para não informar o que de fato sabe. A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) disse que as informações de Joel não têm coerência, pois nas gravações ele cita os partidos PT, PMDB e PTB, mas, na comissão, alega ter feito as gravações por questões comerciais.
À Polícia Federal, Joel disse que estava desempregado nos últimos anos. À CPI, porém, ele informou que prestava consultoria à empresa de tecnologia Idasa, do Paraná. Joel disse que tinha uma empresa de consultoria de Marketing, mas não soube precisar quais empresas foram suas clientes de 1992 a 2005. Disse apenas ter trabalhado alguns meses em 1992 para empresas encubadas pela Escola Técnica Cefet, do Paraná. O deputado Cardoso contra-atacou:
- Sua empresa é curiosa. Não produz nada e vende tudo. Parece que o principal produto é criar brechas em licitações.
O deputado Jamil Murad (PcdoB-SP) acredita que Joel faz parte de uma organização que reúne o próprio Joel, o empresário Arthur Wascheck Neto, o ex-cabo da PM, Jairo Martins, e o oficial da Marinha reformado, Gerardo Molina. O deputado leu depoimento prestado por Joel à Polícia Federal em que o advogado conta ter participado de outras investigações clandestinas sobre pagamento de propinas e cujas gravações foram levadas à