Rio de Janeiro, 27 de Outubro de 2026

Ex-diretora da Anac tenta explicar seu papel no caos aéreo

Acompanhada por uma pilha de documentos, que colocou ostensivamente em cima da mesa, a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu prestou depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, nesta quarta-feira. (Leia Mais)

Quarta, 11 de Junho de 2008 às 09:38, por: CdB

Acompanhada por uma pilha de documentos, que colocou ostensivamente em cima da mesa, a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu prestou depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, nesta quarta-feira. Ela pretendeu explicar as denúncias que fez sobre irregularidades na venda da Varig e da VarigLog. Denise atribuiu a sua renúncia do cargo, em agosto do ano passado, resposta a uma possível manobra do governo para esconder os verdadeiros motivos da crise aérea, então vivida pelo país.

- Foi um basta às inúmeras calúnias que se prestavam a esconder as verdadeiras razões do caos aéreo. Fui considerada bode expiatório para blindar os problemas gravíssimos que havia no sistema aéreo - disse, após afirmar que tinha duas razões para "o governo arquitetar" a renúncia dela do cargo: Primeiro, dizendo que era uma "trama da aeronáutica" e, em seguida, que o novo ministro queria fazer alterações na equipe.

Segundo a depoente, seu relacionamento com a Aeronáutica era tranquilo.

- Tinha certeza de que isso não era verdade. Sempre tive relacionamento amistoso com o comando da Aeronáutica - afirmou.

Depois, pensou que era interesse do então novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, renovar a equipe.

- Nunca trabalhei com o Jobim. Tenho certeza de que foi mais uma desculpa para todo o massacre arquitetado. Jamais deixei de acreditar que outros interesses se escondiam por trás dessas duas desculpas apresentadas à mim - disse.

Denise admitiu que procurou os senadores Sérgio Guerra (PSDB-RJ) e Tarso Jereissatti (PSDB-CE), dizendo que havia um dossiê falso elaborado contra ela no período de agosto e novembro de 2006. O dossiê conteria informações de que Denise teria contas no Uruguai e cartões de crédito no exterior.

- Procurei sim os dois senadores para relatar minhas preocupações com as perseguições que ainda vivia após minha renúncia ao cargo de diretora. Jamais tive essas contas, tampouco estes cartões - disse.

Denise trouxe uma mala de documentos para comprovar as denúncias que fez à imprensa na semana passada.

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