O ex-diretor de Administração dos Correios Antonio Osório Batista negou à CPI dos Correios ter pedido ou autorizado a servidores da estatal a cobrança de propinas. Ele desclassificou as afirmações feitas pelo ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da empresa Maurício Marinho, que o apontou como um dos responsáveis pela corrupção na estatal.
Durante pouco mais de cinco horas de depoimento, Osório negou terem ocorrido irregularidades sob sua gestão e reafirmou sua amizade com o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), citado em um vídeo por Marinho como envolvido com propinas nos Correios e autor das denúncias do suposto pagamento a parlamentares pelo PT em troca de apoio no Congresso.
Segundo Osório, nenhum diretor dos Correios teria tanto poder dentro da empresa quanto Marinho afirmou ter nas gravações que o mostram recebendo um pagamento no valor de três mil reais.
"Nem mesmo toda a diretoria teria aquela força", disse o ex-diretor nesta terça-feira.
Em relação às contratações efetuadas pela empresa, Osório não soube explicar como eram os critérios de avaliação para a assinatura de aditivos de contratos com companhias contratadas pela estatal.
Algumas das empresas contratadas, conforme levantamentos feitos pela CPI, foram beneficiadas com aditivos de contratos, como a SMPB Comunicação, de propriedade do publicitário Marcos Valério de Souza, acusado por Jefferson de ser um dos operadores do "mensalão".
Na renovação de seu acordo com os Correios, a empresa de Valério conseguiu obter um reajuste de 25 por cento sem que tenha apresentado qualquer acréscimo de serviços.
Para a deputada Denise Frossard (PPS-RJ), a assinatura dos aditivos são irregulares.
"Não são só ilegais, mas antiéticos", disse a deputada.
O depoimento foi encerrado por volta das 15h. O ex-diretor de Tenologia dos Correios Eduardo Medeiros de Morais era o segundo a depor e a CPI pretende ouvir ainda o ex-diretor Maurício Coelho Madureira (Operações).
RELATÓRIO DA CGU APONTA IRREGULARIDADES EM CONTRATOS
No início da sessão, o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) recebeu cópias do relatório preliminar elaborado pela Controladoria Geral da União (CGU) sobre diversos contratos efetuados pelos Correios.
O documento, que será distribuído aos parlamentares ainda nesta terça-feira, traz os resultados de auditoria realizada por técnicos do órgão sobre as contratações efetuadas pela estatal.
Segundo o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), o documento aponta apara a existência de anormalidades em pelo menos três grandes contratos feitos pelos Correios.
Um deles diz respeito à aquisição de impressoras, à qual o documento da CGU aponta uma suposto direcionamento do edital de licitação. Outro se refere à contratação da Skymaster que presta serviços postais para a estatal.
O último se refere à compra de medicamentos para servidores dos Correios num contrato de 61 milhões de reais. Nesse caso, quatro empresas participantes estão sob suspeita.
- A CGU sugere que tem de ser feita uma apuração profunda nesses casos - disse o parlamentar.