Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

Ex-diretor do <i>Jornal do Brasil</i> morre no Rio

O ex-diretor executivo do Jornal do Brasil Manoel Francisco Nascimento Brito, de 80 anos, morreu às 7h40 de falência cardíaca. Ele estava internado no Hospital Copa D'Or, em Coapacaba (zona sul) desde o dia 20 de janeiro, por causa de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Por 52 anos, Nascimento Brito ficou no comando do JB, de onde se afastou aos 78 anos, em agosto de 2000, com uma breve carta aos leitores publicada na primeira página.

Sábado, 08 de Fevereiro de 2003 às 13:36, por: CdB

O ex-diretor executivo do Jornal do Brasil Manoel Francisco Nascimento Brito, de 80 anos, morreu às 7h40 de falência cardíaca. Ele estava internado no Hospital Copa D'Or, em Coapacaba (zona sul) desde o dia 20 de janeiro, por causa de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Por 52 anos, Nascimento Brito ficou no comando do JB, de onde se afastou aos 78 anos, em agosto de 2000, com uma breve carta aos leitores publicada na primeira página. Nascimento Brito perdera os movimentos do lado direito do corpo em 1978, quando sofreu um derrame durante uma viagem à Venezuela. Ele pescava quando sentiu-se mal. Desde então, sua saúde manteve-se relativamente estável e ele levou uma vida normal, até o outro AVC. A família contou que, apesar de ter perdido a fala, ele estava consciente. Comunicava-se por meio de gestos e tinha a companhia de familiares. O jornalista tinha cinco filhos: José Antônio - que preside o Conselho Editorial do JB -, Manoel Francisco, Maria Regina, Teresa e Maria Isabel. O neto mais velho, José Joaquim, de 24 anos, disse que o avô "sempre foi muito teimoso" e recusava-se a andar de cadeira de rodas, apesar de se locomover com dificuldade. "De um ano para cá, a saúde dele se deteriorou rapidamente. Foi uma morte lenta e sofrida. Ele perdeu a fala, mas continuava lúcido. Os últimos meses foram especialmente doloridos". José Joaquim lembrou ainda que a família tinha o hábito de se reunir uma vez por mês na casa do patriarca, no bairro de Laranjeiras, zona sul do Rio. Antes de se mudar para lá, ele morava no bairro de Santa Teresa, onde viveu por cerca de 30 anos. Nascimento Brito era casado com dona Leda, filha do conde Ernesto Pereira Carneiro. Foi ele que levou Nascimento Brito para o jornalismo, em 1949, quando o convidou para dirigir a rádio Jornal do Brasil. Dona Leda tem vários problemas de saúde, entre eles mal de Parkinson. Nascimento Brito assumiu funções executivas no JB em 1948 e, em agosto de 2000, passou seu último cargo, de presidente do Conselho Editorial, para o filho José Antônio, dizendo-se cansado das decisões cotidianas. Na época, com a saúde debilitada, o jornalista disse que havia tomado a decisão por não querer mais obrigações administrativas. Afirmou que continuaria indo à empresa, onde manteria sua sala e atuaria como consultor e acionista. Dizia-se "o maior interessado no futuro do JB". "Estou fugindo um pouco da administração do dia-a-dia, faço isso há muitos anos. Acho que chegou o momento de poder folgar um pouco". Brito nasceu no dia 2 de agosto de 1922 no Rio de Janeiro. Filho do engenheiro e empresário José do Nascimento Brito e da inglesa Amy Avoegno do Nascimento Brito, Manoel estudou no Colégio São Bento e, mais tarde, na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, concluindo o curso de direito em 1946. No mesmo ano, casou com Leda Marina Marchesini, enteada do conde Ernesto Pereira Carneiro (ganhou do Vaticano o título de conde ajudando o Rio de Janeiro a enfrentar a gripe espanhola em 1918), diretor-presidente do Jornal do Brasil. Em 1949, foi convidado pelo conde e tornou-se consultor jurídico do jornal. Com a morte de Pereira Carneiro em 1954, a direção do JB passou à viúva Maurina Abranches Pereira Carneiro, que deu início a várias reformas no jornal. Nascimento Brito ganhou poder e foi encarregado da compra de novos equipamentos gráficos, necessários à expansão. Em 1956, tornou-se superintendente do jornal, contratando o jornalista Odilo Costa Filho para coordenar a reformulação do JB. Ainda em 1956 foi eleito membro do conselho executivo da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e diretor-secretário da União dos Proprietários de Jornais e Revistas. Em 1960, assumiu o cargo de diretor-executivo do jornal e das empresas associadas. Nesse período, foi representante do Brasil na XVI Sessão da Assembléia Geral da ONU em Nova York. Um ano depois comprou a Tribuna da Imprensa, jornal carioca que pertencia a Carlos Lacerd

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