Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2026

Ex-diretor diz que ECT é disputada entre fornecedoras de material

Quinta, 30 de Junho de 2005 às 09:01, por: CdB

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios, Antonio Osório Menezes Batista, ex-diretor de Administração dos Correios, disse que a briga entre as empresas fornecedoras de material para firmar contratos com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) era "terrível", a ponto de a estatal ter ficado quase um ano sem conseguir comprar pares de tênis para os carteiros.>

Com tais dificuldades, contou, o ex-diretor teria defendido que a empresa apelasse para o sistema de pregão eletrônico pois, caso contrário, haveria paralisação na compra desses materiais. Osório afirmou haver diferença grande entre os preços de referência e os preços acordados pelas empresas. Por essa razão, disse que teve que recorrer à Fundação Getúlio Vargas e até à Universidade de Brasília (UnB) para que examinassem o assunto envolvendo compras dos Correios. Segundo o ex-diretor, a ECT, com 110 mil empregados, é uma instituição muito complexa. >

A partir de indagações feitas pelo relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), Osório negou que tenha pedido dinheiro ou recebido propina de alguém. Disse que quando soube das denúncias publicadas pela imprensa solicitou de imediato sua demissão. Ele reiterou que não houve qualquer envolvimento de sua parte em irregularidades na instituição.

Ele também disse que viu a fita com a gravação do flagrante do recebimento de propina na estatal na casa de Roberto Salmeron, ex-presidente da Eletronorte e ex-vice-presidente dos Correios, no dia 15, com o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Mas disse que não sabe como Salmeron teve conhecimento da fita. >

Antonio Osório disse que conhece o empresário Arthur Wascheck Neto, dono da Coman, que mandou gravar a fita, flagrando o recebimento de propina de R$ 3 mil pelo ex-chefe de departamento dos Correios Maurício Marinho.

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