Ex-diretor da BBC diz que canal tem que resistir à influência do governo
Sir Christopher Bland, antigo diretor do canal britânico BBC, avaliou negativamente as últimas propostas de financiamento do governo e disse que a mídia tem que protestar contra esta decisão.
Christopher Bland foi chefe da BBC de 1996 até 2001
Sir Christopher Bland, antigo diretor do canal britânico BBC, avaliou negativamente as últimas propostas de financiamento do governo e disse que a mídia tem que protestar contra esta decisão.
Christopher Bland foi chefe da BBC de 1996 até 2001. Na rádio BBC Radio 4 ele afirmou que as relações entre a BBC e o governo poderão mudar. O antigo dirigente do canal britânico relaciona essa possibilidade com a proposta do primeiro secretário de Estado britânico, George Osborne, no sentido de o canal financiar as emissões de TV grátis para pessoas de mais de 75 anos de idade, financiamento que é geralmente feito através dos impostos.
- Isso torna a emissora BBC mais próxima do governo, porque ela está fazendo o que o governo diz para fazer. A BBC tem uma carta (royal charter) que define suas funções e responsabilidades. Este documento não diz nada sobre taxas de licença, taxas de licença livre para pessoas idosas. Esta é uma coisa muito ruim que o governo está tentando fazer. E a BBC deveria resistir a eles - disse Bland à RT UK.
A proposta veio após a transferência para a BBC do financiamento de canais grátis de TV para pessoas idosas, o que custará 650 milhões de euros, um quinto do orçamento da estação.
Os dirigentes da BBC, ou a companhia, ou o diretor-geral não podem decidir se eu terei uma licença livre ou não. Essa é uma decisão do governo, e ele empurra-a para a emissora - acrescentou.
O autor norte-americano e ativista político Stephen Lendman notou que o governo britânico ao longo dos anos tem tido influência direta sobre a política da BBC.
- Nos Estados Unidos os principais canais não recebem instruções do governo oficialmente, mas há regras não escritas, que são bem conhecidos por eles (…) E na Inglaterra, o governo é dono da mídia principal, da principal fonte de informação da população e, é claro, o governo decide o que mostrar e o que dizer. Se alguém se afastar do sistema, não ficará na empresa por muito tempo. Muitas pessoas se recusam a comprar uma licença para ver a BBC, eles dizem que vão ver os canais por cabo. E eu digo bravo para eles!“, disse ele à agência russa de notícias Sputnik.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.