Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Ex-deputado diz que nunca ouviu falar em venda de votos no Congresso

Quarta, 13 de Fevereiro de 2008 às 15:39, por: CdB

O ex-deputado federal pelo PL (atual PR) e ex-bispo da Igreja Universal, Carlos Rodrigues, negou nesta quarta-feira que soubesse da existência de mensalão. Ele foi interrogado pelo juiz Erik Navarro Wolkart, da 7ª Vara Federal Criminal, no Rio de Janeiro.

Rodrigues é um dos 40 réus do caso, acusados de envolvimento em esquema de compra de votos em troca de apoio político.

Para sustentar a inexistência de mensalão, Rodrigues argumentou que se tratava de uma “questão matemática e de astúcia política”. Segundo ele, os partidos da base vinham unidos desde o governo anterior e não precisavam de pagamentos para votar pelas propostas governistas do PT: “Uma vez que a gente ganha o governo, nós iríamos ali vender votação? Eu nunca ouvi falar nisso”.

O ex-deputado também apontou, no interrogatório, dificuldades na vida legislativa.

— Ser parlamentar é muito ruim, meritíssimo —, disse.

— Muito ruim. Você sacrifica tudo o que tem. Entra ali de manhã e sai à noite, não vê o dia passar. Se ocupa o dia inteiro. Sábado à noite, você às vezes tem que ir a um casamento, abraçar 100 pessoas que nunca viu na sua vida. De repente, você está em casa, um eleitor seu morreu, tem que botar o terno e ir ao enterro. Nove horas da noite, você está com sua família, sua esposa quer ir ao cinema, tem que atender a um pedido político. Ser parlamentar não é simples, embora a imprensa ache que é um paraíso. Não é —, afirmou.

Sobre os recebimentos de quantias para pagamento de gastos de campanha, o ex-bispo não especificou as despesas.

— No curso do processo, o meu advogado vai demonstrar onde foi investida essa quantia, no pagamento da campanha eleitoral, com mais exatidão —, disse.

Rodrigues se negou a responder a questões formuladas pelos representantes do Ministério Público, alegando que havia sido orientado neste sentido por seus advogados, e não quis usar os momentos finais da sessão para outros argumentos em sua defesa.

Na quinta-feira será interrogado o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato.

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