Douglas Sato
Especial para o site da FPF
Em 99 anos, muitos personagens se destacaram na rica história do dérbi de Campinas entre Guarani e Ponte Preta, como o ex-jogador Zenon, um dos principais ídolos do Guarani que falou com propriedade sobre o dérbi que acontece nesse sábado (16), às 16h20, no estádio Moisés Lucarelli, em Campinas pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B.
Zenon de Souza Farias, 57, vestiu a camisa 10 do Guarani já viveu o dérbi de perto muitas vezes e tenta explicar a rivalidade entre Guarani e Ponte Preta. “Essa rivalidade existe por que esse confronto é o exemplo maior do que representa o futebol de Campinas. Dérbi sempre é dérbi. Em Campinas, em São Paulo e em qualquer lugar, todo clássico marca a competição. É um campeonato à parte, esse jogo é um dos mais importantes da competição”.
De acordo com Zenon, dentro de campo o clima do clássico pesa. “O dérbi é um jogo completamente diferente dos demais, quando o assunto é torcedor eles preferem vencer a partida do que ser campeões. Por isso sempre jogávamos com o coração na ponta da chuteira, quase morríamos em campo, porém quando a vitória chegava não existia sensação melhor”, recorda saudoso.
Curiosamente, porém, o dérbi inesquecível de Zenon foi a partida realizada no estádio do Pacaembu, pelo Campeonato Paulista de 1979. Naquela época a cidade de Campinas havia sido denominada ‘capital do futebol’, devido à ótima fase que ambas as equipes atravessavam. No final, o Guarani venceu por 2 a 0, inclusive com um dos gols marcado por Zenon, de pênalti.
Mesmo fora de Campinas, a partida entre duas das melhores equipes do Brasil, atraiu multidões. “Se bem me recordo, aquele jogo até hoje é o maior público entre o dérbi campineiro. Na ocasião, mais de 38 mil pessoas segundo a renda, acredito que havia mais de 40 mil. O fato mais curioso foi que no estádio não havia apenas torcedores do Guarani e da Ponte Preta, mas também tinha torcedores de outros times de São Paulo que estavam lá para ver quem era o melhor da capital do futebol”.
Para Zenon o dérbi está entre os dez maiores clássicos do Brasil. “Sem duvida está entre os 10 maiores do Brasil e no quesito rivalidade, acredito que seja o maior. Os dois clubes, por terem construído uma rivalidade na década de 1910, que se consolidou nos anos 1920, funcionavam como espelho um do outro. Um não queria ficar atrás do outro e o dérbi funcionava como um elemento de avanço para esses clubes que se renovavam e se fortaleciam”, explicou.
Para ex-craque que também fez história no Corinthians e Avaí (SC), porém, não existe na partida deste sábado, um jogador que possa fazer a diferença no clássico. “Hoje, nos dois clubes, não tem um jogador que atende as características de craque. No meu tempo era mais comum, tínhamos uma safra muito boa. No futebol moderno as equipes privilegiam um elenco do que um jogador que faça a diferença, então a equipe acaba suprindo a falta de jogadores que decidem”, finalizou Zenon.