Guilherme Franco,
Especial para o site da FPF
Principal estrela do Primavera no Campeonato Paulista da Segunda Divisão, já que encaminha a equipe para a classificação à segunda fase, o treinador Evaristo Piza, de 38 anos, deu entrevista exclusiva para o site da FPF, onde contou seu início como atleta profissional até a recente carreira de títulos como técnico de futebol. Natural de Campinas, o professor de educação física formado pela PUC-Campinas revelou seu carinho especial pelo Guarani, enalteceu a presença do pai em sua vida, e lamentou sua curta carreira dentro das quatro linhas.
Evaristo Piza vem de um bom trabalho à frente do Paulínia e em 2011 busca repetir o acesso à Série A3, mas agora no PrimaveraApaixonado por futebol desde criança, Evaristo ingressou no esporte aos sete anos de idade. Incentivado pelo pai, Júlio de Toledo Filho, o jovem garoto disputou sua primeira competição pelo infantil do Guarani em 1979, em um campeonato disputado por sócios do clube. Anos mais tarde, o carinho pelo alviverde só cresceu com a oportunidade de atuar pela equipe sob o comando do próprio pai, treinador do juvenil na época.
Além do Guarani, Evaristo Piza passou pelas categorias de base de Flamengo e Corinthians, e atuou profissionalmente no Ituano, Al Khaleej Club (Arábia Saudita), Olímpia, Moto Clube (MA), Deportivo Pereira (Colômbia) e Comercial, onde encerrou a carreira com 28 anos. Como treinador, Evaristo estreou no Nippon Bunri University (Japão), e depois passou pelo Paulínia antes de chegar ao Primavera.
Mesmo com uma carreira teoricamente curta no mundo da bola, o meio-campista desfrutou momentos marcantes como atleta. A oportunidade de vestir a camisa 10 do Flamengo em um Maracanã lotado, enfrentar os desafios do futebol árabe e comemorar um título pelo clube do coração estão entre as maiores emoções do atual técnico.
Confira como foi este contato com Evaristo Piza e suas experiências de seus 38 anos ligados ao futebol.
FPF: Como foi seu início no futebol?
Evaristo: Era sócio do Guarani desde garoto e com sete anos já participava de competições pelo clube. Ingressei no juvenil sob o comando do técnico Olinto Romaneti, e mais tarde meu próprio pai teve a oportunidade de me treinar. Confesso que esse fato me atrapalhou um pouco na carreira, pois nunca era reconhecido pelo meu potencial. As pessoas apontavam que minha titularidade era por ser filho do seu Júlio (Júlio de Toledo Filho, pai de Evaristo), e não pela qualidade do meu futebol.
FPF: Qual foi sua maior emoção dentro das quatro linhas?
Evaristo: Com certeza a maior emoção da minha carreira foi entrar no Maracanã com a camisa 10 do Flamengo, que na época era do Zico. Foi uma partida de juniores entre Flamengo e Vasco, em 1991. O jogo terminou em 1 a 0 para eles, com gol do Edmundo. A imagem do estádio naquele dia está marcada para sempre na minha memória.
FPF: Como foi sua decisão na hora de pendurar as chuteiras?
Evaristo: Na minha opinião, tive azar na carreira como atleta. Quando jovem tomei algumas atitudes inconsequentes e me arrependo agora que estou mais maduro. Aconteceram também alguns problemas pessoais que me atrapalharam bastante. Decidi parar de jogar e adotei o objetivo de tornar minha jornada como técnico mais vitoriosa que como jogador.
FPF: Qual foi seu principal desafio como treinador?
Evaristo: Meu maior desafio como técnico foi quando iniciei essa etapa na minha vida. Recebi uma proposta do Nippon Bunri University, equipe universitária do Japão, e viajei para lá sem o mínimo domínio da língua. Eu trabalhava com um intérprete, e mesmo que ele transferisse a minha palavra aos atletas, o impacto do contato não era o mesmo. Além desse fato, a oportunidade de levar o Paulínia à Série A3 do Paulista também ficou muito marcada na minha vida.
FPF: Houve algum fato inusitado na sua carreira?
Evaristo: Quando atuava pelo Olímpia, aconteceu um fato bem engraçado. Em uma partida contra a União Barbarense, marquei um gol e comemorei de uma forma que ficou conhecida como ‘O gol Chupa Cabra’. O Everson, meu companheiro de clube na época, encenou o chupa cabra me mordendo e em seguida eu caía no chão tremendo. Os jornais da época brincaram com o ocorrido chegando a dizer que o ‘Chupa Cabra’ estava atacando o interior paulista. Foi muito bacana e engraçado.
FPF: Em qual técnico você se espelha?
Evaristo: O Muricy Ramalho é um cara que eu admiro profundamente. Ele conquistou títulos por onde passou e isso é tudo para um técnico de futebol.
FPF: Como você imagina o seu futuro?
Evaristo: Meu objetivo é levar o Primavera à Série A3 do ano que vem. Começamos a Segunda Divisão muito bem e tenho a convicção de que conseguiremos chegar lá. A diretoria trouxe reforços importantes e o grupo está focado em levantar novamente a taça de campeão do estadual.
FPF: Quem é o seu maior exemplo?
Evaristo: Em toda a carreira sempre me espelhei no meu pai. Apesar de ele ter me atrapalhado mais que ajudado, sempre foi um homem de muito caráter na minha vida. Ele é o grande responsável pelo carinho especial que tenho pelo Guarani. Se não fossem essas duas coisas na minha vida, não seria a pessoa que sou hoje.
FPF: Qual a sua relação com os seus filhos?
Evaristo: Se há um motivo especial para eu lutar e trabalhar todos os dias são os meus filhos. Eles são a coisa mais valiosa da minha vida. Tanto a Tainá, 15, quanto o Kauã, 4, me fazem ser feliz a cada dia que passa com a presença deles ao meu lado.