Rio de Janeiro, 04 de Maio de 2026

Ex-banqueiro denuncia caixa dois de FHC

Em seu depoimento a uma subcomissão criada para investigar liquidações de instituições financeiras ocorridas a partir de 1996, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), concluído no início da madrugada desta quinta-feira, o ex-diretor e proprietário do Bamerindus, José Eduardo Andrade Vieira, admitiu que houve esquema de caixa dois para financiar as campanhas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998. (Leia Mais)

Quinta, 20 de Outubro de 2005 às 11:10, por: CdB

Em seu depoimento a uma subcomissão criada para investigar liquidações de instituições financeiras ocorridas a partir de 1996, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), concluído no início da madrugada desta quinta-feira, o ex-diretor e proprietário do Bamerindus, José Eduardo Andrade Vieira, admitiu que houve esquema de caixa dois para financiar as campanhas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998.

- Perguntei a ele se a empresa de papel do Bamerindus, a Inpacel, era a principal doadora da campanha do FHC e ele disse que 'oficialmente', sim. Em seguida, falou que não tinha como provar, mas que as campanhas do ex-presidente tinham sido pagas com caixa dois - contou a senadora Ana Júlia.

Diante da afirmação, o presidente da subcomissão, senador Aelton Freitas (PL-MG), decidiu enviar o depoimento do ex-proprietário do Bamerindus às Comissões Parlamentares de Inquérito dos Correios e da Compra de Votos. José Eduardo Andrade Vieira acusa o Banco Central de favorecer instituições financeiras internacionais e facilitar a liquidação de bancos nacionais. Ele é autor de 14 ações judiciais contra o Banco Central, que somam um total de R$ 15 bilhões reivindicados a título de indenização.

"Nunca poderei deixar de afirmar que a administração pública à época foi a responsável pelo debacle do segundo maior banco privado do país", diz Vieira, em documento entregue aos senadores: "As autoridades monetárias da época deixaram de investir R$ 400 milhões em 1996 para manter o Bamerindus em operação líquida e saudável e, em contra partida, criaram um emaranhado de operações ilegais, gastando mais de R$ 7 bilhões para dar vazão à solução optada de entregar o nosso banco ao HSBC".

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