Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

Ex-assessor diz que Irã era mais perigoso que o Iraque

Terça, 08 de Junho de 2004 às 07:04, por: CdB

Teria feito mais sentido invadir o Irã do que invadir o Iraque, disse Richard Clarke, o ex-assessor dos EUA para a área de combate ao terrorismo e que já havia criticado o atual governo norte-americano por não investir conforme deveria contra militantes.

Clarke, um ex-conselheiro de três presidentes norte-americanos em quatro governos, afirmou que a simples posse de armas de destruição em massa não justificava a invasão de um país. Esse foi o principal argumento usado pelos EUA para atacar o Iraque -- porém não se encontrou nenhuma arma do tipo no território iraquiano.

"Se analisarmos o caso do Irã, seu programa nuclear é muito mais avançado que o do Iraque", afirmou Clarke ao jornal austríaco Der Standard. "Teria havido muitos motivos mais para invadir esse país (o Irã)."

Os EUA acreditam que o programa nuclear iraniano tenta desenvolver armas atômicas. O governo do Irã nega a acusação e diz querer apenas produzir energia com a esse programa.
Em um livro publicado recentemente ("Against All Enemies"), Clarke acusa o governo do atual presidente dos EUA, George W. Bush, de não ter levado a sério a ameaça da Al Qaeda antes dos ataques de 11 de setembro de 2001.

As acusações do ex-assessor mancharam a reputação de Bush de ser duro com o terrorismo, um dos lemas centrais da campanha de reeleição dele. O dirigente, por diversas vezes, rebateu as acusações feitas por Clarke.

Em um capitulo intitulado "That Almost War, 1996" (a guerra que quase aconteceu, 1996), Clarke diz que o ex-presidente Bill Clinton chegou perto de declarar guerra contra o Irã devido ao apoio do país a atividades terroristas voltadas contra os EUA.

No entanto, segundo o ex-assessor, Clinton optou por não atacar o Irã e por ordenar a realização de uma "operação de inteligência" que pareceu ter funcionado. "Depois da operação de inteligência, e talvez por causa dela e por causa das sérias ameaças norte-americanas, o Irã parou com as ações de terrorismo contra os EUA", escreveu Clarke. "Evitou-se a guerra contra o Irã."

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