A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas ouviu, nesta quarta-feira, o ex-funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Francisco Ambrósio do Nascimento, e o terceiro sargento do Centro de Inteligência do Comando da Aeronáutica, Idalberto Martins de Araújo. Os depoimentos começaram às 10h.
O ministro Jorge Armando Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, e o terceiro sargento da Polícia Militar do Distrito Federal Jairo Martins de Souza pediram o adiamento de seus depoimentos, o que foi aceito pelo presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ).
Em seu depoimento, Ambrósio negou participação na gravação ilegal de conversas telefônicas de autoridades. Disse apenas que seu trabalho se resumia em "fazer uma triagem" de e-mails que estavam num Disco Rígido (HD) de um computador apreendido pela Polícia Federal.
– Não participei de qualquer escuta telefônica legal ou ilegal. Não tenho a menor idéia de quem tenha feito a escuta. Não tenho autorização para esse tipo de procedimento – argumentou em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas.
Francisco Ambrósio é acusado de, a pedido do coordenador da Operação Satiagraha, delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, ter gravado clandestinamente conversas de autoridades, inclusive do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Ele disse que foi chamado por Protógenes para trabalhar como "um colaborador eventual" na Operação.
– Todos os dias chegava às 8h. O meu computador já estava ligado e na tela já havia uma pasta aberta, que era a minha tarefa do dia. Fazia a seleção dos assuntos. Fazia uma leitura rápida e jogava numa planilha: data, hora, remetente, destinatário e assunto. Não fazia análise, porque não entrava no mérito – explicou, acrescentando que os e-mails eram de 2004.
Para fazer o trabalho de triagem, Ambrósio recebeu recebeu R$ 1,5 mil mensais, durante um semestre, e assinou recibo pelo pagamento. Ele ainda disse que se identificava todos os dias na portaria do edifício da Polícia Federal, em Brasília, e chegou a dividir sala com o delegado Protógenes.
– Era uma sala específica para a Operação (Satiagraha) – afirmou.