O ex-agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Francisco Ambrósio do Nascimento admitiu ter ouvido "acidentalmente" dois áudios captados pela Polícia Federal na investigação da Operação Satiagraha. Os áudios eram de conversas envolvendo o advogado e ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh e a jornalista do diário paulista Folha de S.Paulo Andrea Michael. No caso da jornalista, Ambrósio declarou que se tratou da captação de uma escuta ambiental, não de grampo telefônico. Os nomes dos interlocutores dos dois não foram divulgados. Em setembro de 2008, o agente aposentado negou qualquer participação ou conhecimento de escutas telefônicas clandestinas na operação comandada por Protógenes.
O ex-agente prestou depoimento na CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, a CPI do Grampo, nesta quinta-feira, protegido por um habeas corpus preventivo concedido pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Carmem Lúcia. Com isso, ele está desobrigado a falar algo que o incrimine. Ambrósio afirmou que ouviu as gravações porque o perito da PF responsável pela sua análise deixou o "áudio aberto". Ambrósio reiterou que sua função oficial na investigação era restrita a fazer triagem de mensagens eletrônicas de 2004, sem analisar o conteúdo dessas mensagens.
O presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), criticou o fato de Ambrósio "que não era funcionário ativo do Estado brasileiro" ter tido acesso a dados que estavam sob sigilo de Justiça. O deputado declarou que a concessão do habeas corpus coloca o depoente na condição de investigado e sugeriu ao relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), que sugira o indiciamento de Ambrósio por seu "acesso a dados sigilosos de maneira indevida".
Mandado de segurança
Itagiba também anunciou que vai negociar com a Procuradoria da Câmara dos Deputados a possibilidade de entrar com mandado de segurança para cobrar do juiz Fausto de Sanctis a divulgação, para a comissão, de dados sigilosos obtidos em computadores do banqueiro Daniel Dantas, um dos alvos da Operação Satiagraha, da Polícia Federal. A CPI cogita, ainda, a convocação do juiz para depoimento sobre o assunto.
O juiz atua na 6ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo e negou o envio dos dados para a CPI, sob a alegação de sigilo de Justiça. Diante da negativa, alguns deputados apresentaram requerimento para convocar Fausto de Sanctis e Daniel Dantas para deporem na comissão.