O líder socialista Evo Morales vai fazer o juramento presidencial por três vezes, em cerimônias diferentes, segundo confirmou nesta quarta-feira um de seus assessores. Primeiro presidente indígena do país mais pobre da América do Sul, Evo assumirá formalmente o cargo em um ato na sede do governo, em La Paz, na tarde de domingo, 22 de janeiro, diante de vários chefes de Estado e outros convidados. Porém, antes e depois dessa cerimônia, haverá outros juramentos.
Evo chegou à presidência da Bolívia com uma vitória folgada nas eleições de 18 de dezembro, com uma margem de votos de mais de 53%. Alex Contreras, porta-voz do novo presidente, disse que Evo pretende viajar ao vilarejo arqueológico de Tiwanacu, a cerca de 70 quilômetros a oeste de La Paz, na região aymara próxima ao lago Titicaca, em 21 de janeiro. No local, receberá o poder simbolicamente dos povos originários da região. Evo nasceu e cresceu na comunidade de Orinoca, no altiplano boliviano, também de cultura aymara, situada a 400 quilômetros ao sul de La Paz. Ele desenvolveu suas atividades sindicais e políticas na região cocalera de Chapare, onde o quechua é o idioma nativo predominante.
- Na cerimônica de Tiwanacu se reafirmará o compromisso do governo Evo Moraes com os valores originais - afirmou Contreras.
Grande festa
Em 22 de janeiro, Evo percorrerá a pé os 500 metros que separam o Congresso e a Plaza de San Francisco, centro tradicional de festas e manifestações populares, onde fará o juramento presidencial diante dos movimentos sociais que apoiaram sua candidatura "antiimperialista".
- Será uma festa popular, até a segurança estará a cargo dos movimentos sociais, que estão organizando grupos especiais de mineiros e camponeses para cuidar do novo presidente - disse o porta-voz.
Contreras afirmou ainda que, diante dos líderes sociais, Morales jurará cumprir o programa de governo divulgado na campanha eleitoral, com destaque para a eleição de uma Assembléia Constituinte e a nacionalização dos hidrocarburetos. Devem assistir à posse histórica de Evo Morales a maioria dos presidentes da América do Sul e governantes de outras regiões do mundo, informou o chanceler Armando Loyaza.
Desde a vitória nas eleições, Morales tem feitos contatos intensos, e por enquanto bem-sucedidos, com vários setores bolivianos, incluindo a cúpula empresarial e o comitê cívico do distrito oriental de Santa Cruz. Nessa região, tradicionalmente dominada pela direita, Morales foi aplaudido na terça-feira com um discurso conciliador, promessas de realizar um referendo sobre autonomias e impulsionar o megaprojeto siderúrgico do Mutun, no extremo sudeste do país.
Morales deve fazer uma viagem internacional antes da posse, começando por Cuba, em 30 de dezembro, onde ele será recebido pelo presidente cubano, Fidel Castro. Até 13 de janeiro, visitará a Espanha, Holanda, França, Bélgica, China e África do Sul. A viagem termina no Brasil, onde Morales se encontrará com os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Argentina, Ernesto Kirchner, e possivelmente o da Venezuela, Hugo Chávez.