Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

Evo Morales prepara polícia para agir em Santa Cruz caso haja conflitos

Quarta, 12 de Dezembro de 2007 às 16:35, por: CdB

O governo da Bolívia anunciou nesta quarta-feira que um contingente de policiais será posicionado em Santa Cruz de la Sierra, região leste do país, para evitar depredações e possíveis excessos da população na próxima sexta-feira, quando a administração departamental (estadual) declarar sua autonomia.A informação é da Agência Boliviana de Informação.

Dias atrás, no entanto, foi divulgada a notícia de que o estatuto de autonomia seria apresentado no sábado. Não só por Santa Cruz, mas também pelos quatro outros departamentos que também reivindicam mais independência em relação ao governo central (Pando, Beni, Tarija e Cochabamba).

— A polícia está indo resguardar bens públicos e privados em Santa Cruz, por causa das advertências alarmistas que os cívicos dessa região fizeram —, afirmou o porta-voz da Presidência, Alex Contreras.

Ele se refere aos integrantes do Comitê Cívico de Santa Cruz, entidade formada por representantes de diversos setores da sociedade, que faz oposição ao governo e à Constituição aprovada no último fim de semana, que ainda vai a referendo popular.

Contreras, no entanto, negou que o Executivo pretenda implantar estado de sítio e disse que são falsas as especulações a esse respeito. O clima anda tenso no país por causa da reforma constitucional. Quando a reforma foi aprovada em primeira instância, no mês passado, em Sucre, houve conflitos violentos e mortes.

Entidades têm se manifestado sobre o processo em curso e prometido tomar atitudes. A Confederação Sindical de Colonizadores da Bolívia, formada por povos originários do país, instruiu suas federações a bloquear estradas por 24 horas no sábado nas regiões da “meia-lua”, formada pelos cinco departamentos autonomistas. Anunciou também a redação de um estatuto autonomista provincial e indígena.

A nova Constituição prevê autonomias departamental, municipal e regional, sendo que esta última inclui territórios indígenas. No que se refere aos departamentos, no entanto, a reclamação é de que o texto constitucional, embora mencione a autonomia, não atende a reivindicações de maior liberdade para determinar políticas públicas e controlar recursos naturais, entre outros.

A Confederação Sindical Única de Trabalhadores Campesinos da Bolívia informou que milhares de pessoas vão marchar e se concentrar sábado na Praça Murillo, em La Paz, em apoio à nova Constituição.

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