Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2026

Evo Morales pede a Obama que apoie campanha pela coca

Quarta, 11 de Março de 2009 às 12:04, por: CdB

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve reconhecer os usos tradicionais da folha de coca, porque não são todas as produções que se tornam cocaína, disse o presidente da Bolívia, Evo Morales, nesta quarta-feira.

Morales, um antigo líder cocaleiro, também pediu aos participantes de um encontro de política antidrogas nas Nações Unidas, em Viena, para suspender a proibição do uso da coca em algumas condições.

– Meu principal objetivo (em vir aqui) é defender a coca, brigar pela coca – disse Morales em uma coletiva de imprensa.

A Bolívia é a terceira maior produtora de cocaína do mundo, atrás da Colômbia e do Peru. A coca, que é o produto bruto da cocaína, é usada por milhões de pessoas na Bolívia e no vizinho Peru para combater os sintomas causados pela altitude e abrandar a fome. Em sua forma natural, a folha também é usada em chás, na cozinha e para cerimônias religiosas.

– Nós esperamos o apoio do presidente Obama para a descriminalização da coca – disse
Morales, acrescentando que a Bolívia está comprometida a combater a cocaína e outras drogas.

– O novo presidente dos Estados Unidos possui muitas semelhanças comigo – afirmou ele, adicionando que espera que Obama possa ajudar em seus longos anos de campanha pela coca pelo que eles possuem em comum.

– Antes, ninguém acreditava que um índio pudesse ser presidente e ninguém imaginava que um homem negro pudesse ser presidente dos Estados Unidos – disse Morales.

Evo Morales, que proibiu agentes antidrogas dos Estados Unidos de trabalhar na Bolívia, declarou que seu país pode combater o tráfico de cocaína sozinho.

Em novembro, ele determinou que a agência antidrogas norte-americana DEA parasse seu trabalho na Bolívia, depois de acusar a instituição de espionagem e de conspirar para seu declínio.

Um relatório do Departamento de Estado dos EUA informou em fevereiro que a produção boliviana de cocaína cresceu muito rápido no último ano devido ao cultivo maior e aos métodos eficientes de produção.

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