O presidente da Bolívia, Evo Morales, advertiu nesta quinta-feira que o povo se levantará se a oposição de direita que controla o Senado do país resistir à aprovação das reformas à lei de terras.
- Se alguns parlamentares não quiserem modificar a lei INRA (Instituto Nacional de Reforma Agrária, vigente desde 1996), o povo vai se levantar para modificar à força -, Morales.
- Acredito na força do povo, porque a força do povo é a força motriz que faz a história -, insistiu, ao recordar o bloqueio de estradas de 2004 por parte de seus cocaleiros de Chapare, o que obrigou o antigo Congresso a modificar a lei de hidrocarbonetos.
O governante rompeu relações com organizações vinculadas a produtores agropecuários da rica província de Santa Cruz (leste), epicentro de sua política agrária, que consiste na reversão ao Estado de locais improdutivos em mãos de particulares.
- Não haverá consenso com latifundiários -, sentenciou Morales, durante entrevista à imprensa no palácio presidencial de Quemado.
Ele denunciou também que "algumas famílias" de Santa Cruz e os distritos amazônicos de Pando e Beni, também foco de suas reformas agrárias, "não querem entender" sua política de redistribuição de terras fiscais a indígenas e camponeses pobres. Morales descartou de antemão a busca de consensos com a agrupação de oposição "Podemos", do ex-presidente conservador Jorge Quiroga, e organizações empresariais para a aprovação de reformas na lei de terras.
- Nunca houve consensos (no Congresso em anos passados). O povo votou pela mudança e a mudança é acabar com o latifúndio. (...) As terras improdutivas têm que ser expropriadas legalmente -, afirmou.
A advertência foi feita horas depois de a Câmara dos Deputados aprovar, após dois dias de negociações, as modificações à lei agrária.
A norma será analisada agora no Senado, onde 13 das 27 cadeiras estão nas mãos do Podemos, que antecipou que não aprovará as mudanças.
Evo Morales ameaça oposição com levante popular
Quinta, 16 de Novembro de 2006 às 19:48, por: CdB