Rio de Janeiro, 01 de Setembro de 2026

Evo Morales admite que maior parte da coca vai para o narcotráfico

O presidente da Bolívia, Evo Morales, admitiu pela primeira vez que parte da coca produzida na região do Chapare, centro da Bolívia, é destinada ao mercado ilegal do narcotráfico.

Domingo, 17 de Outubro de 2010 às 10:04, por: CdB

O presidente da Bolívia, Evo Morales, admitiu pela primeira vez que parte da coca produzida na região do Chapare, centro da Bolívia, é destinada ao mercado ilegal do narcotráfico.  Durante a abertura de um encontro de camponeses no último sábado, o presidente recriminou os sindicatos pelas tentativas de aumentar as produções de coca para além dos limites permitidos por lei. – Companheiros, vocês sabem que uma parte da coca é desviada para o problema ilegal (do narcotráfico) – disse. O presidente, que é um dos principais dirigentes dos sindicatos de cocaleiros da região do Chapare, pediu que os produtores “tomassem consciência dessa realidade” e não exigissem a expansão das plantações. Morales pediu responsabilidade dos camponeses e insistiu que a área de produção de coca na região “não deve passar dos 7 mil hectares”, porque o prestígio internacional do governo está em jogo. – Temos que ser responsáveis conosco, com as novas gerações, com a Bolívia e com o mundo –, declarou. Ele afirmou ainda que o aumento das plantações de coca “serve para que os gringos justifiquem” o descrédito à luta contra as drogas no país. Plantações Na Bolívia, cada família de camponeses cocaleiros tem direito a um “cato”, área de 1.600 metros quadrados para o cultivo da planta. Mas Morales criticou o fato de que, para aumentar a produção, os cocaleiros chegaram a inscrever crianças como proprietários destas parcelas. – Se todo o nosso cultivo tivesse mercado legal, por que estaríamos falando de um cato? –, disse. O presidente disse ainda que “está na consciência” dos camponeses o fato de que as cargas de coca saem dos mercados primários e não chegam nos mercados centrais da Bolívia, porque são destinadas ao tráfico. Segundo dados das Nações Unidas, no último ano o Chapare produziu 26.800 toneladas de coca, das quais só 1.800 entraram nos mercados autorizados. Pressão Evo Morales é criticado por outros cocaleiros bolivianos por desempenhar a função dupla de presidente da Bolívia e dirigente sindical dos cocaleiros do Chapare. Os produtores de coca da região de Yungas de La Paz dizem que o presidente atende melhor aos camponeses do seu sindicato. Atualmente, pelas leis de cultivo bolivianas, Yungas de La Paz tem 12 mil hectares destinados à produção de coca e a região do Chapare, 7 mil. Enquanto os sindicatos do Chapare exigem o aumento da área de plantação, os de Yungas de La Paz protestam contra o controle do comércio de coca. Desde a última segunda-feira, camponeses de Yungas bloqueiam a única estrada que conecta La Paz ao norte da Bolívia. Eles exigem que Evo Morales anule uma nova lei que endurece o controle do comércio interno de folhas de coca, e pedem a demissão de dois ministros do governo atual.

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