Rio de Janeiro, 15 de Abril de 2026

Evo diz que aumento no preço do gás não prejudica o Brasil

Terça, 16 de Maio de 2006 às 09:04, por: CdB

Em entrevista ao jornal conservador francês Le Figaro, publicada na edição desta terça-feira, o presidente da Bolívia, Evo Morales, fez um discurso bastante afinado com o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele afirmou que um possível reajuste do gás não deverá afetar muito o Brasil e a Argentina.

- Temos que discutir sobre o aumento do preço do gás que exportamos. Deve ser uma negociação racional que beneficie a Bolívia sem que afete muito o Brasil. O mesmo ocorre com a Argentina - disse ele ao jornal.

A Petrobras e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferem que não haja nenhum aumento de preços do gás. Se houver, acreditam que outras cláusulas do contrato com a Bolívia poderiam ser negociadas de forma a compensar o Brasil. Além disso, nesta segunda-feira, o presidente defendeu que o Brasil conquiste a auto-suficiência em gás e disse que só continuará a importar o combustível boliviano se o preço for "conveniente".

Nesta semana representantes do Brasil e da Bolívia devem manter novas reuniões para discutir os preços do gás, a transferência do controle das empresas da Petrobras para o país vizinho e a indicação de novos diretores para essas companhias. Na entrevista ao jornal francês, Morales disse que a nacionalização das reservas de petróleo e gás, anunciada em 1º de maio, vai melhorar a situação social dos bolivianos.

Ele voltou a afirmar que não vai expulsar nenhuma empresa e que não quer que a Petrobras e a espanhola Repsol, entre outras companhias, deixem o país. Ele disse, entretanto, que essas empresas serão sócias, e não proprietárias dos recursos bolivianos, daqui em diante.

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