A Petrobras retoma as negociações sobre exploração de petróleo, iniciadas há dois anos e interrompidas em razão das sucessivas crises políticas e institucionais ocorridas na Bolívia, segundo afirmou, nesta quarta-feira, o diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró.
- Não houve oportunidade para desenvolver o projeto e, a partir de agora, volta-se a apresentar a proposta partindo do zero. Ou seja, vai começar de novo a negociação - explicou.
Ele esclareceu que as negociações feitas há dois anos previam a participação da estatal boliviana YPFB em empreendimentos da Petrobras, como as refinarias de Cochabamba e Santa Cruz de la Sierra, adquiridas pela empresa brasileira na década de 90, e o pólo gás-químico que a Petrobras pretende construir na Bolívia.A assessoria da presidência da Petrobras confirmou que existe, de fato, disposição do presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, de encontrar-se com o novo chefe do Executivo da Bolívia após sua posse, para tratar também de outros assuntos relacionados ao setor de petróleo e gás.
A Petrobras informou ainda que há possibilidade, inclusive, de que esse encontro ocorra antes da posse de Morales, durante sua visita ao Brasil para audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vai ocorrer no próximo dia 13. A visita de Morales foi confirmada pelo Palácio do Planalto. Entre os temas previstos destaca-se a nova Lei de Hidrocarbonetos, que aumentou de 18% para 50% a taxação sobre empresas estrangeiras que atuam naquele país nessa área. No ano passado, a Petrobras investiu na Bolívia, até o mês de novembro, aproximadamente US$ 41 milhões. Em 2003, os investimentos feitos pela estatal na Bolívia atingiram U$ 49 milhões e, em 2004, U$ 19 milhões.
A Petrobras começou a atuar na Bolívia no final de 1995, quando foi criada a subsidiária Petrobras Bolívia, cujas operações começaram em meados de 1996. Segundo a assessoria de imprensa da companhia, em menos de dez anos, a Petrobras Bolívia tornou-se a maior empresa do país. Os investimentos totais nos projetos em que tem participação na Bolívia alcançaram cerca de US$ 1 bilhão no período 1996-2004.