A censura no século XX é o tema de uma conferência que vai reunir, entre 8 e 9 de maio, especialistas brasileiros, portugueses e espanhóis em Lisboa, na sede da Fundação Mário Soares.
– A idéia é encontrar os pontos de contato das censuras nestes três países sob a ditadura, nomeadamente o tipo de atuação, alterando as estratégias de acordo com as políticas – disse Alfredo Caldeira, representante da entidade.
Censura, ditadura e democracia é o título do seminário, que começa na quinta-feira e termina na sexta à noite, com a presença do ministro português da Cultura, José Antônio Pinto Ribeiro.
Vinte especialistas vão debater em seis mesas-redondas como a censura influiu na burocracia de Estado, na liberdade de expressão ou na produção artística de cada um dos três países sob regime ditatorial.
O especialista disse ainda que as atas desta edição do evento serão editadas no final do ano. Caldeira coordena o arquivo e biblioteca da Fundação Mário Soares.
Evento
Alfredo Caldeira vai moderar uma mesa-redonda intitulada "censura e resistência", que conta com a participação da pesquisadora brasileira Roseli Fígaro Paulino, da atriz Manuela de Freitas, do cineasta Fernando Lopes e do dramaturgo Luiz Francisco Rebello.
– A idéia é perceber quais os mecanismos que se utilizavam para fazer passar certas mensagens e até a informação banal que os censores cortavam, não deixando chegar ao público – afirmou Caldeira.
– Os estudos sobre a Direção-geral de Censura estão muito atrasados – disse o representante da Fundação Mário Soares, em Portugal, que organizou a primeira edição do evento.
Em relação ao estudo da questão no Brasil, Caldeira afirmou:
– Tem avançado muito, especialmente na Universidade de São Paulo, com destaque para o referente à censura no teatro.
Caldeira disse ainda que, em Portugal, o censor também assistia a vários ensaios e exigia cortes, "ora em nome da moral, ora dos bons costumes, ou por razões políticas".
A Fundação tem no seu arquivo vários documentos da censura, como autos de apreensão de livros, "o que representava um prejuízo gigantesco para as editoras".
– Os livros não tinham censura prévia, mas eram apreendidos se por qualquer razão o censor assim o entendesse e tal implicava um prejuízo que podia levar à falência da casa editora – afirmou.