A União Européia está comprometida em mostrar aos investidores que seu sistema bancário é sólido. Todos os países do bloco, reunidos nesta terça-feira, em reunião emergencial realizada em Luxemburgo, comprometeram-se a socorrer e dar apoio a grandes grupos financeiros para evitar uma crise generalizada. A informação foi passada pelo vice-ministro de Finanças da Alemanha, Joerg Asmussen. Sem citar as instituições, Asmussen disse que a ajuda será destinada aos "bancos relevantes para o sistema". Segundo ele, as intervenções serão decididas "caso a caso".
Os resgates dos bancos à beira da falência ocorreram nos últimos dias na Europa, com o alemão Hypo Real Estate, o belgo-holandês Fortis e o franco-belga Dexia encabeçando a lista. Na Islândia, o governo assumiu o controle do segundo maior banco do país, o Landsbanki, após discurso "cataclísmico" do primeiro-ministro, segundo observaram analistas financeiros europeus. No Reino Unido, a BBC informou nesta terça que três dos quatro maiores bancos do país: Royal Bank of Scotland, Barclays e Lloyds TSB teriam pedido ao ministro da Economia britânico, Alistair Darling, apurar sua decisão sobre um possível plano de ajuda ao setor.
Ministra das Finanças da França, Christine Lagarde revelou que os ministros concordaram em coordenar suas respostas à crise financeira.
– Concordamos em assegurar a solidez e a estabilidade de nosso sistema financeiro e adotar as medidas necessárias para atingir esse objetivo – disse ela, cujo país exerce a presidência da UE, em coletiva de imprensa ao final da reunião.
Também hoje foi anunciado que os países da União Européia acertaram aumentar de 20 mil a pelo menos 50 mil euros a garantia dos depósitos nos bancos do bloco. O objetivo é evitar uma corrida para saques, por temor da piora da crise, e afetar a saúde dos bancos. O compromisso foi alcançado na reunião de ministros das Finanças dos 27 membros da UE, dentro de seu objetivo de atuar de forma coordenada para tranqüilizar os correntistas e os grandes grupos financeiros frente à crise financeira.
"Os Estados estão de acordo em aumentar a proteção dos depósitos de particulares para um valor de pelo menos 50.000 euros, sabendo que vários Estados membros estão determinados a elevar essa cobertura a 100 mil euros", segundo o texto divulgado.
– A solução pela qual se chegou a um resultado é que o aumento para todos é de até 50 mil euros. Mas existe uma série de países membros, eu diria que a maioria, que têm mostrado preferência de colocar 100 mil euros como mínimo – afirmou a jornalistas o ministro espanhol, Pedro Solbes.
A medida, que terá uma duração inicial de um ano, "em princípio é um acordo político e cada país terá que colocá-la em andamento de acordo com seus procedimentos nacionais", explicou Solbes. A idéia de harmonizar as políticas díspares existentes dentro da UE e evitar fugas de capitais dos bancos dos países mais generosos acontece depois que os 27 não conseguiram alcançar um acordo para lançar um plano de resgate similar ao americano.
Quanto à Espanha, onde a garantia atual é de 20 mil euros, Solbes indicou que seu governo realizará, nas próximas horas, um anúncio sobre o montante mínimo que garantirá, indicando esperar que José Luis Rodríguez Zapatero aceite sua opinião. Ele não revelou o montante a ser garantido.