As autoridades sanitárias brasileiras tomam conhecimento, nesta segunda-feira, da decisão do governo espanhol de desaconselhar o uso dos medicamentos para emagrecer, produzidos pela Herbalife, após uma seqüência de nove casos de toxidade hepática que se suspeita estarem associados a estes suplementos alimentares. Já o governo de Portugal ainda não constatou nenhuma reação adversa provocada pelos medicamentos, segundo afirmou a jornalistas, neste domingo, a subdiretora-geral da Saúde, Graça Freitas.
- Trata-se apenas de uma recomendação de "precaução" aos consumidores por parte do Ministério da Saúde espanhol, mas ainda não há qualquer notificação à Rede Europeia de Alerta Rápida de Alimentos, embora as autoridades portuguesas estejam acompanhando de perto os próximos fatos - disse Freitas.
Enquanto o Ministério da Saúde de Espanha aguarda os resultados de mais análises sobre o medicamento, vendido também no Brasil, para decidir se novas medidas restritivas serão necessárias, ficará mantida a recomendação de precaução aos consumidores. Em comunicado, as autoridades referem-se aos pelo menos nove casos de suspeita de reações adversas aos produtos da marca Herbalife, ocorridos entre 2003 e 2007.
Os produtos Herbalife se inserem na categoria de suplementos alimentares, portanto, não precisam ser comercializados em farmácias ou centros especializados. A forma de entrega diretamente em domicílio, através de uma rede de distribuidores, forma uma estrutura do tipo Pirâmide, o que dificulta o acompanhamento dos produtos junto aos consumidores. O fato, no entanto, não impediu que o Centro de Farmacovigilância Regional dos Principado das Astúrias notasse os primeiros casos de possível intoxicação hepática.
A Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários já recolheu informação sobre nove situações que serão investigadas. Estes, no entanto, não são os únicos casos suspeitos. Há outros nove casos de possíveis reações adversas registrados entre 1992 e 2006, em países da União Européia, outros seis na Islândia, 22 na Suíça e um em Israel, segundo constataram as autoridades espanholas.