Autoridades financeiras da Europa fizeram um apelo nesta quarta-feira para que o Senado dos Estados Unidos aprove a proposta revisada de resgate do setor financeiro, que tem como principal objetivo tentar uma solução para a pior crise desde os anos 1930. O contágio decorrente de empréstimos imobiliários arriscados acabou derrubando grandes nomes de Wall Street, congelou os empréstimos entre bancos globais e ofuscou a campanha presidencial norte-americana.
O pacote revisado deve ser votado na noite desta quarta-feira e irá aumentar de US$ 100 mil para US$ 250 mil a quantia de depósitos individuais garantidos. O principal propósito do pacote não foi alterado (permitir que o Tesouro dos Estados Unidos compre ativos hipotecários podres de bancos em uma oferta para destravar os mercados de crédito e evitar danos maiores às economias dos EUA e global). Analistas disseram que a recuperação dos mercados financeiros nos últimos dois dias indica novas esperanças de que o pacote será aprovado, o que aumentará a pressão sobre a Câmara dos Deputados dos EUA para aprová-lo na votação de quinta-feira.
A Câmara rejeitou na segunda-feira o plano inicial proposto pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson. Para que o projeto vire lei, a proposta precisa ser aprovada tanto na Câmara, quanto no Senado. Nesta quarta-feira, Jean-Claude Juncker, presidente do grupo de ministros de Finanças da zona do euro, disse que os Estados Unidos precisam aprovar o plano, mesma posição defendida pelo ministro das Finanças russo, Alexei Kudrin.
– É a responsabilidade dos Estados Unidos para com os outros países – disse Kudrin.
A indústria manufatureira do mundo desenvolvido contraiu em setembro, à medida que a turbulência financeira global afetou negócios e todos os sinais apontam para uma maior desaceleração econômica pela frente. O mercado aberto de curtíssimo prazo (overnight) na Europa registrou uma pequena melhora nesta quarta-feira, primeiro dia do novo trimestre financeiro, mas as taxas de juros para operações de maior prazo continuaram praticamente paralisadas. As poucas taxas cotadas mantinham a tendência de alta. Os bancos estão relutantes em emprestar uns aos outros em tempos de incerteza, o que congelou o fluxo de crédito tanto para empresas, quanto para consumidores.