Os defensores da desfiliação do Reino Unido deixaram claro que esperam negociar um novo acordo com a Europa antes de desencadear o processo de saída formal
Por Redação, com Reuters - de Londres:
Líderes europeus pediram ao Reino Unido nesta terça-feira que aja rápido para resolver o caos político e econômico desencadeado pelo referendo de desfiliação da União Europeia, uma medida que o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que pode pressionar o crescimento global.
Os mercados financeiros se recuperaram ligeiramente após o resultado da votação de quinta-feira, que dilapidou as ações globais no valor recorde de US$ 3 trilhões e fez a libra cair para seu nível mas baixo em 31 anos, mas os negócios ainda estão voláteis e os formuladores de políticas econômicas avisaram que adotarão todas as medidas necessárias para proteger suas economias.
O ministro britânico das Finanças, George Osborne, cuja tentativa de acalmar os mercados foi recebida com descrédito na segunda-feira, disse que o país terá que cortar gastos e aumentar impostos para estabilizar a economia agora que uma terceira agência de classificação de risco rebaixou sua nota.
Algumas empresas anunciaram um congelamento nas contratações e possíveis cortes de vagas, abalando as esperanças do eleitorado de que a economia iria florescer fora da UE.
Os países europeus estão particularmente preocupados com o impacto da incerteza criada pela saída britânica sobre o restante do bloco, já que se tem pouca noção de quando, ou mesmo se, o Reino Unido irá declarar formalmente seu rompimento.
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse ao Parlamento Europeu antes de se encontrar com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, em Bruxelas, que exortaria o premiê a esclarecer a posição de Londres o mais rápido possível.
Mas ele também disse não esperar que Cameron dê início ao processo de retirada de dois anos de duração "hoje ou amanhã de manhã".
– Não podemos ficar envoltos em uma incerteza duradoura – afirmou Juncker em um discurso, durante o qual indagou a parlamentares britânicos anti-UE o que ainda faziam no Parlamento Europeu.
Cameron, que prometeu renunciar assim que ficou claro que ele foi incapaz de persuadir sua nação a permanecer na UE no referendo que ele mesmo convocou, diz que deixará para seu sucessor anunciar a saída oficial do Reino Unido.
Atendo-se ao sonho de manter boas relações com outros países do continente, ele disse: "Tenho muita esperança de que iremos buscar o relacionamento mais próximo possível em termos de comércio e cooperação e defesa. Porque isso é bom para nós e é bom para eles".
Os defensores da desfiliação do Reino Unido deixaram claro que esperam negociar um novo acordo com a Europa antes de desencadear o processo de saída formal. Líderes europeus, no entanto, disseram que essa não é uma opção.
– Sem notificação, sem negociação – resumiu Juncker.