A União Européia (UE) está revendo a linguagem usada para descrever os terroristas que dizem agir em nome do islã. Autoridades da UE trabalham no que batizaram de um "léxico" para os comunicados oficiais a respeito do terrorismo e do islã com o intuito de deixar claro que nada dessa religião justifica ataques como os de 11 de setembro de 2001 contra os EUA ou os atentados contra Madri e Londres ocorridos depois.
O léxico fixaria diretrizes para autoridades e políticos do bloco.
- Com certeza, o termo 'terrorismo islâmico' é um que não vamos usar. Falamos sobre 'terroristas que invocam o islã de forma abusiva' - afirmou à agência inglesa de notícias Reuters uma autoridade da UE.
Outras palavras que estão sendo reavaliadas são "fundamentalista" e "jihad". Esta última palavra, por exemplo, é usada frequentemente pela Al Qaeda e por outros grupos para se referir à guerra lançada contra os "infiéis". Mas, para a maioria dos muçulmanos, "jihad" significa uma luta espiritual.
- 'Jihad' significa algo para mim e para você diferente do que significa para um muçulmano. 'Jihad' é um conceito totalmente positivo e se refere aos esforços para enfrentar o mal dentro de si mesmo - disse a autoridade, que não quis ter sua identidade revelada porque a revisão é interna e não deve ser divulgada oficialmente.
O chefe da UE para o combate ao terrorismo, Gijs de Vries, afirmou à Reuters que o terrorismo não é inerente a nenhuma religião e elogiou os muçulmanos moderados por ser contrários ao uso feito pelos militantes do islã:
- Eles se mostram cada vez mais atuantes no isolamento dos radicais que abusam do islã por motivos políticos e eles merecem o apoio de todos. E isso inclui as escolhas linguísticas a fim de deixarmos claro que nos referimos a uma minoria assassina que está pervertendo a religião e que não a representa.
Charges polêmicas
A linguagem usada no Ocidente quando discute a questão muçulmana e o problema do terrorismo, e especialmente a acusação feita por alguns de que o islã é uma religião violenta em sua essência, são assuntos altamente delicados na Europa. As charges publicadas em um jornal dinamarquês representando o profeta Maomé com um turbante em formato de bomba provocaram protestos violentos no começo deste ano em vários países islâmicos. Ao menos 50 pessoas morreram.
A autoridade da UE familiarizada com a revisão sobre o léxico disse que o uso cuidadoso da linguagem visa evitar a "armadilha" de ofender e isolar os cidadãos:
- Não queremos usar uma terminologia que tornaria o problema ainda mais grave", disse. "Essa é uma tentativa de tomarmos consciência das questões implicadas no uso de certa linguagem.
Um documento inicial sobre o problema deve ser adotado em junho.
- Com ele, pretendemos entender o que estamos dizendo e pretendemos evitar erros. Ele será usado para guiar as instituições da UE e os países-membros - afirmou a autoridade.