Rio de Janeiro, 29 de Abril de 2026

Europa e EUA tumultuam negociações na OMC

Quinta, 15 de Dezembro de 2005 às 10:26, por: CdB

As nações em desenvolvimento aumentaram a pressão sobre os ricos por uma maior abertura de seus mercados superprotegidos, enquanto Estados Unidos e Europa culpavam-se mutuamente pelo impasse em que se encontram as conturbadas negociações sobre o comércio mundial em Hong Kong. O Banco Mundial fez coro com os países menos desenvolvidos, indignados sobre seu tratamento no encontro da Organização Mundial do Comércio em Hong Kong, dizendo que tinha havido muita conversa sobre desenvolvimento, mas com pouca ação.

"Nesses três dias de encontro até agora, os países ricos transferiram 2 bilhões de dólares para seus agricultores em diferentes formas de proteção. "No mesmo período, os 300 milhões das pessoas mais pobres da África ganharam menos de 1 bilhão de dólares ao todo", disse o vice-presidente do Banco Mundial, Danny Leipziger, em um comunicado.

As nações pobres criticaram Washington e Tóquio por fracassar nas conversas por um acordo que permitiria a liberação de cotas e tarifas para seus produtos, dizendo que depois de anos prescrevendo a liberalização para os outros era a hora de eles "engolirem seu próprio remédio". Uma autoridade disse que o representante de Comércio dos EUA, Rob Portman, perdeu a cabeça com o comunicado, assinado pelo ministro do Comércio de Zâmbia, Dipak Patel, em nome dos países mais pobres da OMC.

Os Estados Unidos ainda foram criticados pelos subsídios anuais de 4 bilhões de dólares que oferecem aos seus produtores de algodão, mas ganharam um descanso quando anunciaram sua intenção de oferecer tarifa zero para o produto originário dos empobrecidos países do oeste africano.

"Isso é um passo na direção certa, mas está claro que mais precisa ser feito. O verdadeiro problema para os produtores de algodão da África é o dumping no mercado mundial, resultado dos subsídios domésticos e à exportação", disse o comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, em um comunicado.

Washington, por sua vez, tentava virar os holofotes para a recusa da UE em abaixar tarifas de importação para produtos agrícolas de países em desenvolvimento.

Acordo

Enquanto os ministros pechinchavam entre si, cerca de mil manifestantes antiglobalização marchavam em direção ao centro de convenções onde se realiza o encontro, dançando e prostrando-se ao longo do caminho. "Nós merecemos ser ouvidos", cantavam, vigiados de perto pela polícia de choque. A polícia usou gás de pimenta e cacetetes contra manifestantes sul-coreanos nos primeiros dos dias de encontro, e espera que haja confrontos mais intensos antes do encerramento, no domingo.

Os protestos contra o livre comércio tem deixado muitos perplexos em Hong Kong, uma cidade que o ex-presidente dos EUA Bill Clinton chamou de "prova dos benefícios da interdependência global."

- A maioria das pessoas em Hong Kong não entende o que eles (os manifestantes) estão fazendo. Isso não está em sua cultura. Eles gostam do livre comércio - disse K.K. Cheung, um engenheiro civil aposentado.

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