Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Europa discute a questão nuclear

Sexta, 01 de Julho de 2011 às 05:21, por: CdB

A questão nuclear é o tema do momento na Europa. A percepção nessas paragens é que essa energia compreende riscos, mas traz oportunidades.

Se é verdade que a Alemanha e a Itália abandonaram a construção de novas usinas - a Alemanha vai, inclusive, fechar as que tem -, a realidade em outras partes do mundo é outra: China, Rússia, Índia, França,Grã Bretanha, Coreia do Sul estão decididas a continuar construindo e utilizando a energia atômica menos poluente que o carvão ou mesmo o gás. Por sinal, os Estados Unidos e, principalmente, a China utilizam à vontade o carvão, com grandes danos ao meio ambiente.

O que se discute, agora, é a segurança das centrais nucleares. Semana passada, o Fórum Atômico Europeu (FORATOM), uma associação das empresas do setor baseada em Bruxelas (Bélgica) publicou uma nota reafirmando que o tema passou a ser tratado como a sua principal prioridade.

Revisão dos processos

O setor atômico entende que suas instalações são seguras, mas, ainda assim, deu início a uma revisão de todos os processos de segurança das usinas. E se diz aberto à proposta da União Europeia de conduzir uma avaliação de riscos e de segurança em todas as instalações do continente. A partir de junho, a EU testará a resistência de suas usinas nucleares por meio de “provas de stress” que simulam catástrofes naturais – terremotos, maremotos, inundações, entre outras - e erros humanos.

Tudo indica que a segurança está sendo equacionada pelos reatores da terceira geração. O problema é que essa segurança precisa de uma autoridade mundial para fiscalizar as instalações, assim como de agências nos países, para agir com independência em relação a seus governos e em relação às empresas que detêm a tecnologia e a fabricação dos reatores.

O problema é ainda mais complexo. As centrais nucleares também esbarram na questão do custo. E países que não têm opções hídricas ou de biomassa, não têm saída. Resta-lhes apenas desenvolver novas tecnologias e reatores.

Autoridade mundial

O momento pede a consolidação das agências que regulem a questão nuclear em uma autoridade mundial, assim como a busca da redução dos custos, via inovação. Defendo, inclusive, a descentralização da gestão da segurança, para que seja exercida em nível regional. Com isso, é mais viável assegurar um maior controle e uma fiscalização mais efetiva. Ou será que seremos capazes de inovar e descobrir novas fontes de energia limpa, para além da solar, eólica e da biomassa?


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