Rio de Janeiro, 09 de Agosto de 2026

Europa: derrotas de governos eram esperadas

Terça, 29 de Março de 2011 às 05:35, por: CdB

Em que pese o destaque dado pela mídia - válido e natural - a derrota dos partidos no governo na França e na Alemanha nas eleições regionais do último domingo era esperada. Eu estava na Europa na semana passada e, sem querer ser pretensioso, cantei essa bola aqui no blog. As pesquisas já antecipavam esses resultados para o presidente Nicolas Sarkozy e para a chanceler Ângela Merkel, cada uma das derrotas com suas causas.

Sakorzy é o mestre do populismo de direita. Vocifera contra a imigração, explora a questão da religião e, por último, envolveu-se de corpo, alma e aviação na intervenção na Líbia. Esperava com essa última jogada safar-se da derrota no domingo, mas de nada adiantou.

O eleitorado o castigou duramente, e a seu governo, e ele pode nem ir para o 2º  turno na eleição presidencial do ano que vem. Hoje, não iria.A candidata classificada em 1º lugar nas pesquisas com 52% da preferência dos eleitores é Marine Le Pen, filha de Juan Marie Le Pen, o líder da Frente Nacional, partido da extrema direita na França.

Europa sem perspectivas


Já a chefe do governo alemão, chanceler Ângela Merkel, apesar de todas as concessões também não escapou de uma surra nas urnas domingo. Seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), foi derrotado pelo Partido Verde na Saxônia Anhalt, Estado que dominava politicamente há 60 anos.

Não adiantou Merkel não compactuar com a intervenção na Líbia (a Alemanha ficou ao lado do Brasil, Rússia, China e Ìndia e absteve-se de votar a Resolução da ONU que chancelou invasão à Líbia) e prometer desativar as usinas nucleares.

Há 6 meses ela havia referendado a política nuclear - a Alemanha é um dos países que mais utiliza e mais investe em energia nuclear - e tentou recuar nas últimas semanas, mas foi em vão, o eleitorado a massacrou.  As derrotas governistas na França e na Alemanha domingo são mais uma mostra de que a Europa está sem lideranças e sem perspectivas. Apenas responde aos fatos e crises.

Insiste num ajuste econômico que só agrava a situação - traz recessão, inflação e desemprego recordes. E deixa países como Irlanda, Portugal, Grécia e Espanha sem nenhuma saída,além do risco (exceção da Grécia) da derrota de seus governos em eleições regionais e/ou nacionais.

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