Por Mário Augusto Jakobskind - Vale uma análise inicial sobre a cobertura midiática das manifestações deste domingo . A TV Globo interrompeu a sua programação normal para mostrar imagens, sobretudo da capital paulista, e comentar as palavras de ordem contra a Presidenta Dilma Rousseff. Era visível a empolgação de comentaristas e repórteres que sem a mínima cerimônia endossavam os protestos antigoverno Dilma.
Televisões, como a Globo, usaram de sua penetração para valorizar as manifestações contra Dilma
Vale uma análise inicial sobre a cobertura midiática das manifestações deste domingo . A TV Globo interrompeu a sua programação normal para mostrar imagens, sobretudo da capital paulista, e comentar as palavras de ordem contra a Presidenta Dilma Rousseff. Era visível a empolgação de comentaristas e repórteres que sem a mínima cerimônia endossavam os protestos antigoverno Dilma.
No Rio de Janeiro, enquanto a orla de Ipanema e da Lagoa Rodrigo de Freitas esvaziada apresentava um cenário de dia de chuva e não de domingo, apesar do tempo bom, era visível a predominância da classe média na orla de Copacabana. Conclusão: boa parte da classe média alta de Ipanema e da Lagoa tinha se deslocado para Copacabana.
Na orla, quem tivesse alguma dúvida sobre o caráter classista dos manifestantes podia ver iates, veleiros e mesmo jete skis com faixas contra a Presidenta Dilma Rousseff.
Nos luxuosos prédios de Copacabana algumas bandeiras nacionais eram estendidas nas janelas para demonstrar apoio às manifestações.
Como cerca 60% da população carioca é composta de negros, chamava a atenção que nos protestos em Copacabana não se via nenhum representante desse segmento étnico majoritário. Claro que tal fato passou desapercebido pelos canais de televisão, abertos ou a cabo, que cobriam os protestos.
Na Bahia, onde a maioria da população é de negros e qualquer manifestação popular é caracterizada pela presença desse segmentos da população, nos protestos do domingo as televisões não podiam esconder o fato de não aparecerem negros nos protestos.
Em São Paulo e outras capitais o panorama foi o mesmo.
As emissoras de televisão na prática estimulavam a presença de manifestantes. E os jornalistas da Globo, postados segundo eles mesmos, no mezanino da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) não escondiam seu deslumbramento pelos protestos.
E com alguns intervalos para a publicidade ou retorno da programação normal, várias vezes interrompida para “informar” sobre os protestos, os jornalistas lembravam que a cobertura completa dos protestos seria apresentada no horário do Fantástico.
No canto inferior da pequena tela os telespectadores recebiam informações sobre protestos no exterior, da Austrália aos Estados Unidos passando por Portugal etc.
Os comentaristas da mídia eletrônica davam ênfase ao que consideravam “enfraquecimento” do governo Dilma Rousseff.
Empresários do setor de caminhões, chamados de caminhoneiros, também deram o ar de sua graça nos protestos de 15 de março.
Em suma: qualquer semelhança com manifestações da classe média venezuelana é mera coincidência?
Agora só resta aguardar o desenrolar das coberturas dos jornalões e teljornalões sobre os acontecimentos.
Outro tipo de cobertura
As manifestações organizadas por sindicalistas em favor da Petrobras e contra qualquer tentativa de desestabilização no país tiveram uma cobertura mais do que discreta.
Alguns jornais, para variar O Globo, tentaram de todas as formas apontar que manifestantes receberam dinheiro para participar do ato.
Ignoraram que algumas faixas denunciavam manipulações midiáticas.
Dos helicópteros a Rede Globo postava imagens de preferência de ângulos com o objetivo de demonstrar esvaziamento.
Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , será lançado dia 17, no Rio de Janeiro.Direto da Redação é um fórum de debates, do qual participam jornalistas colunistas de opiniões diferentes, dentro do espírito de democracia plural, editado, sem censura, pelo jornalista Rui Martins.
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