Rio de Janeiro, 24 de Maio de 2026

Eucaristia: símbolo e realidade

Na quinta-feira desta semana celebramos a festa do Corpo de Deus. A Igreja está dedicando todo um ano à Eucaristia. Já bastaria isto para chamar a atenção sobre a importância deste sacramento, cujo símbolo aponta para a sua freqüência cotidiana, como "pão nosso de cada dia". (Leia Mais)

Sexta, 27 de Maio de 2005 às 14:27, por: CdB

Na quinta-feira desta semana celebramos a festa do Corpo de Deus. A Igreja está dedicando todo um ano à Eucaristia. Já bastaria isto para chamar a atenção sobre a importância deste sacramento, cujo símbolo aponta para a sua freqüência cotidiana, como "pão nosso de cada dia". 

Sem Eucaristia a Igreja não vive. Ou dito de outra maneira, conforme a frase inicial do documento de João Paulo II sobre o assunto, "a Igreja vive da Eucaristia".

Precisamos entender o porquê

As razões da centralidade da Eucaristia nos mergulham no mistério de Cristo, e iluminam a realidade de sua obra redentora: ele deu sua vida para nos salvar, e  colocou este gesto supremo como sua memória a ser celebrada. O sacramento da Eucaristia recolhe esta realidade, que a fé intui e a teologia se empenha para  lhe compreender a riqueza do seu significado e a coerência dos seus diversos aspectos.

Ao mesmo tempo, a Eucaristia se reveste de uma clara vinculação com a realidade social. Realizada com o gesto de partir o pão, ela sinaliza uma necessidade fundamental para a sobrevivência humana, que é não só o alimento corporal, mas ao mesmo tempo a convivência fraterna, simbolizada pela mesa da refeição.

Recuperar esta dimensão social da Eucaristia é o caminho indispensável para reencontrar o verdadeiro significado deste sacramento central dos cristãos. Se a celebração da Eucaristia não levar os cristãos a realizarem na prática o que a partilha do pão simboliza, o sacramento perde não só a sua repercussão humana, mas se afasta do próprio contexto que presidiu sua instituição por Cristo.

Pois na verdade, o gesto de Cristo na sua ceia final, quando vinculou seu corpo e sangue à partilha do pão e do vinho, foi precedido de sua longa convivência cotidiana com os discípulos, e das diversas oportunidades em que tinha partilhado o pão para saciar a fome da multidão.  Foi inclusive numa dessas ocasiões que o Cristo anunciou a todos que ele tinha outro pão a dar, promessa que ele cumpriu claramente ao instituir a Eucaristia. Foi o próprio Cristo quem por primeiro vinculou o seu sacramento ao contexto humano da partilha do pão, com tudo o que ela simboliza.

A autenticidade da celebração da Eucaristia postula a veracidade da partilha do pão. Poderíamos dizer que existem duas eficácias diferentes na Eucaristia. Ambas deveriam se verificar.

A primeira delas é apresentada à nossa fé com muita clareza e contundência pela tradição cristã: as palavras da consagração transformam, eficazmente, o pão e o vinho no corpo e no sangue de Cristo. Esta eficácia se funda na força do sacramento instituído por Cristo.

A segunda eficácia está ligada à partilha concreta da vida, que o exemplo de Cristo nos ensina a fazer. A força desta segunda eficácia decorre da primeira. Fomos educados com muito maior insistência a acreditar na primeira, e pouco se insiste em concretizar a segunda.

Num mundo alucinado pela concentração, a Eucaristia aponta o caminho da partilha. Se a Igreja esquece ou não valoriza o seu empenho social, ela perde sua dimensão eucarística e sua eficácia na transformação da sociedade.

As Pastorais Sociais encontram força e motivação na Eucaristia. Por sua vez, sua dimensão eucarística as qualificam eclesialmente, ao mesmo tempo que ajudam a Igreja a cumprir sua missão de fermentar a sociedade com os valores do Evangelho.

Tags:
Edições digital e impressa