Os Estados Unidos pretendem voltar a produzir plutônio 238, altamente radioativo, pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria, disse reportagem do jornal The New York Times nesta segunda-feira.
Diretores do projeto disseram na reportagem que a maior parte, ou até mesmo todo o plutônio, será usado para missões secretas. As autoridades não revelaram detalhes, mas o jornal disse que o plutônio foi usado no passado para fornecer energia a aparelhos de espionagem.
O jornal disse que Timothy Frazier, chefe de sistemas de força de isótopo radioativo do Departamento de Energia dos EUA, negou de maneira veemente em entrevista recente que as missões secretas envolverão armas nucleares, satélites ou armas no espaço.
- O motivo real de começarmos a produção é para segurança nacional -, disse Frazier, segundo o jornal.
Autoridades do Departamento de Energia não foram localizadas para comentar a reportagem.
O programa, que segundo o jornal provocou preocupações entre ambientalistas, vai produzir 150 quilos durante 30 anos no Laboratório Nacional Idaho.
O programa pode custar 1,5 bilhão de dólares e gerar mais de 50.000 tambores de lixo radioativo, disseram autoridades federais ao Times.
O plutônio 238 é centenas de vezes mais radioativo que o plutônio 239, usado em armas nucleares, de acordo com o jornal. Especialistas médicos dizem que a inalação de apenas uma mancha do material representa um sério risco de câncer no pulmão, disse o Times.
O jornal disse que o plutônio 238 não tem função central em armas nucleares, mas tem valor pelo calor constante, que pode ser transformado em eletricidade. Baterias nucleares feitas com o material impulsionam naves espaciais onde a luz do sol é muito fraca para energizar as células solares.
Especialistas federais e privados sem relação com o projeto disseram na reportagem que o novo plutônio provavelmente será usado como fonte de energia para espionagem submarina e terrestre.
Os EUA produziram plutônio 238 pela última vez nos anos 1980 e contam agora com estoques, que estão envelhecendo, e com importações da Rússia, disse o jornal.
A reportagem afirma que os acordos com a Rússia impedem que os EUA usem as importações - cerca de 16 quilos desde o final da Guerra Fria - para fins militares.