Rio de Janeiro, 15 de Março de 2026

EUA voltam a prever a morte de Fidel

Sexta, 15 de Dezembro de 2006 às 10:11, por: CdB

Líder revolucionário cubano, o premiê Fidel Castro teve seu quadro de saúde agravado e estaria muito perto do fim, disse o diretor de Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na siga em inglês), John Negroponte, a repórteres do Washington Post, que publica a matéria com exclusividade na sua edição desta sexta-feira..

- Tudo o que vimos indica que (a morte de Fidel) é uma questão de tempo. Meses, não anos - previu Negroponte ao Post.

Em outra reportagem, publicada no site do jornal britânico The Independent há uma semana, outra fonte já havia afirmado que Fidel luta contra um câncer terminal e poderia morrer até o Natal. Segundo o diário britânico, as informações foram passadas por fontes diplomáticas ocidentais.

Observadores próximos ao governo cubano disseram que Fidel luta contra um agressivo câncer de estômago, e se recusou a fazer a radioterapia ou qualquer outra forma de tratamento. Oficiais cubanos são notoriamente evasivos sobre a saúde de seu presidente, assunto tratado como segredo de Estado. Enquanto afirmam que Fidel está se tratando de uma doença não-terminal, fontes de inteligência de países próximos contestam o verdadeiro estado de saúde do presidente.

Após 47 anos, Fidel foi afastado pela primeira vez do poder em 31 de julho, após ser submetido a uma cirurgia intestinal. Seu irmão, Raúl Castro, assumiu suas tarefas presidenciais, mas autoridades cubanas afirmam que Fidel se recupera e de retornar à liderança do país. Ele foi visto pela última vez em um vídeo de 28 de outubro exibido na TV cubana, no qual aparece fraco e convalesce em uma cama. Fidel não compareceu, como era previsto anteriormente, à celebração ocorrida em Havana em 2 de dezembro para comemorar seu aniversário de 80 anos e marcar os 50 anos da Revolução Cubana.

A morte do líder cubano está sendo aguardada com apreensão muito além da ilha. Há temores de que, após a morte, haja um êxodo de cubanos em direção aos Estados Unidos. Igualmente há preocupações acerca de grupos anti-Fidel, do sul da Flórida, que poderiam tentar desestabilizar o regime enviando uma frota de barcos até a ilha, na expectativa de que os cubanos estejam preparados para uma insurgência, o que seria um cenário desastroso para a região.

Da mesma forma, ações políticas em Cuba têm o potencial de influenciar a política interna norte-americana. Quando, em 2000, o então presidente Bill Clinton (1993-2001) autorizou o garoto Elian Gonzalez a voltar para sua terra natal, o voto dos cubanos na América do Norte foi todo direcionado aos republicanos, e muitos responsabilizam essa ação pela controversa derrota de Al Gore na eleição presidencial daquele ano.

Agora, com a campanha presidencial de 2008 ganhando terreno, Cuba se torna novamente um importante assunto nos EUA, especialmente as especulações sobre a saúde de Fidel.

Tags:
Edições digital e impressa