Uma unidade de infantaria dos fuzileiros navais que será enviada este mês ao Iraque terá à sua disposição uma nova "arma" sonora, projetada para dispersar multidões e que pode provocar dores de cabeça e surdez entre suas vítimas. Este novo artefato, chamado LRAD, será incorporado pela 1ª Força Expedicionária de marines (MEF), que viaja ao Iraque este mês dentro da rotação de tropas nesse país, segundo confirmou hoje, terça-feira, um porta-voz do Pentágono.
Por outro lado, tanto o Departamento de Defesa como o fabricante do instrumento, a American Technology Corporation (ATC), se mostram muito cuidadosos ao tentar explicar que o LRAD (siglas em inglês para "Dispositivo Acústico de Longo Alcance") não se trata de uma arma.
O dispositivo é similar a um megafone muito grande, do tamanho aproximado de uma antena parabólica de uma televisão por satélite, que pode emitir discursos ou um som agudo tão penetrante capaz de deixar qualquer pessoa fora de combate, mesmo se tapar os ouvidos. A ATC afirmou em um comunicado de imprensa que seu dispositivo pode gerar um som de até 145 decibéis a uma distância de 275 metros, e que pode paralisar as pessoas afetadas. Além disso, também pode emitir mensagens gravadas em diferentes idiomas.
O valor total do contrato foi de 1,08 milhão de dólares, segundo a empresa. "Estes dispositivos oferecem uma ferramenta de utilidade crítica para colocar uma distância entre os fuzileiros navais e as ameaças, já que lhes dará (aos militares) mais tempo para definir uma resposta apropriada e pensada", afirmou a tenente coronel Susan Noel, responsável de proteção da 1ª MEF.
O ruído "causará o equivalente a uma dor de cabeça instantânea. Deixará-los de joelhos", afirmou o presidente da ACT, Woody Norris, ao jornal Los Angeles Times. No entanto, este jornal afirma que a possível utilização deste sistema pode gerar dúvidas de índole ética, legal e de direitos humanos.
Por outro lado, o Conselho de Relações Exteriores, um centro de estudos com sede em Nova York, emitiu em fevereiro um relatório sobre as chamadas "armas não letais" nas quais aponta que este tipo de artefatos teria sido útil nos dias depois do final da guerra do Iraque, já que previniria os saques e distúrbios.
O Pentágono está há anos tentando desenvolver armas não letais que possam facilitar as tarefas de suas tropas em missões urbanas de manutenção da paz, como as que desenvolve em boa parte do Iraque. No entanto, estas armas enfrentam muitos problemas de índole moral. Por exemplo, em 1995, o então secretário de Defesa, William Perry, decidiu vetar o desenvolvimento de armas baseadas em raios laser, cujo objetivo era deixar os inimigos cegos.