Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

EUA são acusados de morte de jornalistas no Iraque

Quinta, 15 de Janeiro de 2004 às 08:40, por: CdB

O governo americano e o quartel-general das forças americanas no Iraque compartilham a responsabilidade da morte de dois jornalistas atingidos pelo disparo de um tanque em um quarto do hotel Palestine em Bagdá, no dia 8 de abril de 2003, segundo um relatório da organização Repórteres sem Fronteiras (RSF). De acordo com o informe, publicado nesta quinta-feira, redigido pelo jornalista Jean-Paul Mari, da revista francesa Nouvel Observateur, o quartel do general Buford Blount, comandante da III Divisão de Infantaria "possui uma grande responsabilidade" por não ter informado às forças de segurança espalhadas pela cidade que havia repórteres no hotel.

A organização considera que o disparo contra o Hotel Palestine, onde estavam os dois jornalistas, não foi "um tiro deliberado contra a imprensa em Bagdá", mas que os militares americanos não tinham sido informados da presença de um grande número de profissionais no local. "Se soubessem, não teriam disparado", acrescentou a RSF, isentando desta forma o capitão Philip Wolford, que autorizou o tiro, e o sargento Shawn Gibson, que atirou, de qualquer responsabilidade na morte dos jornalistas. "Em níveis superiores, o poder político, ou seja, o governo americano, sim, é responsável", acrescentou.

O informe, intitulado "Dois assassinatos por uma mentira", considera ainda que a tese oficial da "legítima defesa em resposta a disparos diretos" procedentes do hotel Palestine, "tese imediatamente apresentada, afirmada e mantida até nos mais altos níveis do governo" americano, é uma "mentira de Estado". Em função disso e considerando-se que a conclusão "final" do Exército americano sobre o assunto "não é essa", a RSF pede a "retomada das investigações" para responder às perguntas verdadeiras sobre o "duplo assassinato" no Hotel Palestine.

Os dois jornalistas mortos foram o cinegrafista ucraniano Taras Protsyuk, da agência Reuters, e o espanhol José Couso, da rede privada Telecinco.

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