Os Estados Unidos decidiram eliminar alguns benefícios comerciais concedidos a Brasil, Índia e outros países em desenvolvimento por meio do Sistema Geral de Preferências (SGP). O anúncio acontece uma semana após as autoridades culparem Brasil e Índia pela falta de avanços na Rodada Doha, de liberalização do comércio mundial.
No caso do Brasil, a decisão significa que o país não poderá mais vender freios, peças de freios e ferro-zircônio para o mercado norte-americano sem pagar as tarifas norte-americanas de importação.
Nos dez primeiros meses do ano passado, o Brasil exportou para os EUA US$ 242 milhões em freios e peças de freios e US$ 700 mil em ferro-zircônio, segundo o USTr (o equivalente ao Ministério do Comércio Exterior).
Favorável ao fim da medida, o senador republicano Charles Grassley comemorou a decisão. "Eu questiono cada vez mais porque nós damos tratamento preferencial a todos os produtos de países como Brasil, Índia e Venezuela, que têm trabalhado ativamente contra os interesses comerciais dos EUA."
"Acho que vocês verão uma aceleração real de acordos bilaterais e regionais, incluindo algo como um acordo de livre comércio com a Ásia-Pacífico, se a rodada de Doha desaparecer realmente do cenário", disse Schwab, segundo a edição do jornal The Australian desta sexta-feira.
Schwab visitará a Austrália na próxima semana, para participar de um encontro de ministros da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), formada por 21 países.
A rodada de Doha, lançada há quase seis anos para tentar incentivar o comércio global e tirar milhões de pessoas da pobreza, parou devido a debates sobre subsídios agrícolas e tarifas na Europa e nos EUA.
Brasil e Índia também relutam em abrir seus mercados a mais produtos agrícolas e industrializados sem cortes maiores no apoio agrícola na Europa e nos EUA.
A Austrália, que apóia o livre comércio e maior abertura de mercados, principalmente para a agricultura, espera que o encontro da Apec estabeleça novas metas para a redução de barreiras comerciais internas.