Oficiais do Exército dos Estados Unidos no Iraque tentaram controlar inspeções da Cruz Vermelha à prisão de Abu Ghraib no ano passado, depois que um relatório do grupo detalhando abusos de prisioneiros foi apresentado à central militar em Bagdá, disse nesta quarta-feira reportagem do jornal The New York Times.
Depois que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha apresentou seu relatório reclamando do abuso de prisioneiros em um bloco de celas em novembro, com base em suas inspeções-surpresa, os militares norte-americanos disseram aos inspetores que eles deveriam marcar as visitas, disse o Times na reportagem, citando uma autoridade de alto escalão do Exército.
O bloco de celas foi o ponto dos piores abusos, disse o Times. Os inspetores da Cruz Vermelha viram ou ouviram sobre as práticas -- como a manutenção de prisioneiros nus em celas de concreto escuras ou de iraquianos fotografados com peças de roupas íntimas femininas sobre a cabeça.
O relatório da Cruz Vermelha foi a primeira evidência formal conhecida de abusos fornecida aos militares em Bagdá antes da entrega de fotografias a investigadores criminais, em janeiro.
A autoridade militar disse ao Times que os militares não iniciaram uma investigação criminal antes de sua resposta à Cruz Vermelha, em 24 de dezembro.
Até agora o Exército descreve sua resposta à Cruz Vermelha como prova de que agiu rapidamente diante do relatório, disse o jornal. Um porta-voz do Pentágono recusou-se a comentar a reportagem.
O Comitê de Serviços Armados do Pentágono deverá começar a ouvir testemunhos sobre os abusos nesta quarta-feira. Os primeiros a falar serão o general John Abizaid, chefe do Comando Central dos EUA, o tenente-general Ricardo Sanchez, comandante das forças terrestres no Iraque e o major-general Geoffrey Miller, vice-comandante de controle de prisioneiros no Iraque.
Outras autoridades, incluindo o administrador norte-americano no Iraque, Paul Bremer, e o subsecretário de Defesa Douglas Feith também poderão ser convocados.
O Pentágono rejeitou com veemência uma reportagem da revista New Yorker desta semana dizendo que o abuso de prisioneiros no Iraque surgiu de um plano secreto do secretário de Estado Donald Rumsfeld para reforçar os métodos de interrogatórios a fim de combater a rebelião no Iraque.
A corte marcial do primeiro soldado dos EUA acusado de ter abusado de prisioneiros iraquianos, Jeremy Sivits, começou em Bagdá nesta quarta-feira.