EUA rejeitam presença de forças internacionais na Esplanada das Mesquitas
O chefe da diplomacia norte-americana, John Kerry, rejeitou nesta segunda-feira a presença de "atores externos" no conflito israelense-palestino, devido aos confrontos na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, tal como tinha sido proposto no domingo pela França.
Por Redação, com ABr - de Madri/Tel Aviv:
O chefe da diplomacia norte-americana, John Kerry, rejeitou nesta segunda-feira a presença de "atores externos" no conflito israelense-palestino, devido aos confrontos na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, tal como tinha sido proposto no domingo pela França.
A França propôs no domingo a presença de forças internacionais na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém Oriental
– Não contemplamos qualquer mudança (no status quo da Esplanada das Mesquitas), mas Israel também não. Diplomacia por vezes é apenas fazer com que todos os envolvidos vejam com clareza o significado do que está se passando – disse o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, em uma conferência de imprensa em Madrid, ao lado do ministro dos Assuntos Exteriores de Espanha, José Manuel García Margallo.
A França propôs no domingo a presença de forças internacionais na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém Oriental, uma ideia que levou o governo israelense a convocar hoje o embaixador de França em Israel.
Os episódios de violência entre Israel e os territórios palestinianos continuam, com um soldado morto num novo ataque no domingo. "Queremos um restabelecimento da calma e queremos que a violência pare", sublinhou Kerry.
Ele disse ainda que os Estados Unidos não querem envolver no conflito da região "atores externos ou outros". Para Kerry, "a segurança e a diplomacia vão de mãos dadas". "Não há um tempo para uma coisa e um tempo para outra. Têm de ser ambas. É assim também no Médio Oriente", disse o responsável norte-americano, apelando por moderação.
O secretário de Estado salientou, por outro lado, que os Estados Unidos consideram que "Israel tem todo o direito do mundo em defender os seus cidadãos" e recordou que Telavive "também deixou claro que não quer mudar o status quo" na região.
Num esforço para amenizar a tensão, John Kerry confirmou no domingo que se encontrará, nesta semana na Alemanha, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e depois com o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas.
Israel sempre rejeitou a ideia de ter observadores internacionais na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém Oriental, o terceiro lugar sagrado do Islã e que, segundo os palestinos, tem recebido número crescente de visitantes judeus. No entanto, nenhum motivo oficial foi apresentado para a "convocação" do embaixador da França.
Desde o início do mês, tem aumentado a violência em Israel e nos territórios palestinos e já morreram oito israelenses e pelo menos 41 palestinos, em vários ataques com facas e armas de fogo.
O caso mais recente aconteceu no domingo em Beersheba, no Sul de Israel, quando um homem, que as autoridades acreditam ser palestino, matou um soldado e feriu outras dez pessoas, incluindo quatro agentes policiais, antes de ser abatido.
Dia de Fúria
Na última sexta-feira, o Dia de Fúria contra Israel convocado pelo grupo fundamentalista muçulmano Hamas terminou com pelo menos quatro palestinos mortos. Dois deles morreram durante confrontos com o Exército israelense na passagem de Erez e nos arredores de Nahal Oz, ao Norte da Faixa de Gaza, região que é comandada pela facção islâmica. Além disso, mais de 100 pessoas ficaram feridas.
Em diversas áreas do território palestino, manifestantes tentaram cruzar a fronteira com Israel, mas foram duramente repelidos pelas forças de segurança. As outras duas vítimas foram registradas na Cisjordânia. Primeiro, um homem vestido de fotógrafo apunhalou um jovem israelense em Hebron e foi morto pela polícia.
Já durante a noite, Ihab Hanani, de 19 anos ferido em confrontos com o Exército perto da cidade de Beit Furik, morreu em um hospital de Nablus.
Mais cedo, nesta mesma localidade, dezenas de palestinos haviam incendiado o túmulo de José, local considerado sagrado pelos judeus. O próprio presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, condenou o ataque, chamando-o de "irresponsável".
Esses episódios aumentaram ainda mais a tensão no Oriente Médio, em meio aos temores de uma nova Intifada (revolta) palestina contra os israelenses.
– Israel tem o direito de se defender e de proteger seus cidadãos, e os palestinos têm o direito de perseguir suas legítimas aspirações. Ambas as partes devem parar com a retórica, abaixar o tom e começar a resolver os problemas – disse o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante uma coletiva de imprensa ao lado da sua colega sul-coreana, Park Geun-hye.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.